Cego à Nascença

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Prefácio

Em muito jovem questionava o meu pai de como seria possível eu algum dia saber tanta coisa como ele; como eles, como nós! Tinha enveredado pela missão mais crucial: onde estamos? para onde vamos?. O meu pai respondeu-me: "um dia saberás mais do que eu". Percebi que o meu pai tão meu pai como as pessoas maravilhosas que vos falarei neste apontamento. É por isso que esta obra representa um apanhado colectivo da evolução da humanidade, do planeta, da sua história e do seu futuro.

Este trabalho é desenvolvido por e para os nossos filhos, a todos os filhos, primos, amigos, seres humanos, seres vivos, da e para o Planeta. Dessa senda poderá servir como ponto de partida na construção de futuro eterno deste pálido ponto azul.

I

Durante toda a história da humanidade raros foram os indivíduos que quebraram as barreiras tradicionais: Platão, Charles Darwin, John Lennon, Sócrates, Spinoza, Einstein, Sigmund Freud, Budha, Martin Luther King Jr., Newton, Jesus Cristo, Dalai Lama, Carl Sagan, Eric Clapton, Charlie Chaplin, Helen Keller, Leonardo Da Vinci, Galileu Galilei, Mahama Ghandi, Jacque Fresco entre muitos outros.

Todos tiveram a visão e a coragem de ver o mundo e a si próprio de uma maneira diferente. E o que visionaram e questionaram mudou a humanidade para sempre.

A presente obra pretende ser uma síntese actual do estado em que se encontra a humanidade de acordo com padrões que alguns apenas conseguiram alcançar. Numa dissertação balizada pelos conceitos de igualdade e sustentabilidade a nível global espera-se fazer o leitor agir. Agir imediatamente, pois perante a informação transparente que passará a deter, a missão da sua vida dever-se-á tornar clara.

“Imaginemos um muro bem alto separando o mundo externo e uma caverna. Na caverna existe uma fresta por onde passa um feixe de luz exterior. No interior da caverna permanecem seres humanos, que nasceram e cresceram ali. Ficam de costas para a entrada, acorrentados, sem poder mover-se, forçados a olhar somente para parede do fundo da caverna, onde são projectadas sombras de outros homens que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira. Os prisioneiros julgam que essas sombras são a realidade…” 1 Platão em Alegoria da Caverna

A ideia já não é recente, mas tem sido esta mesma alegoria que tem catapultado a humanidade em raros rasgos de pensadores corajosos. Platão, filósofo Grego procurava a explicação da realidade não no empirismo mas antes através do conhecimento filosófico, que é racional, sistemático, organizado e que busca as respostas não no acaso, mas na causalidade.

Platão desenvolveu uma teoria em que a realidade é composta por um mundo inteligível ou mundo das Ideias (real, imutável, eterno) e o mundo sensível ou físico (mutável, ilusório). No mundo inteligível a realidade é imutável, igual a si mesma, porque as ideias tem uma realidade objectiva, substancial, são o modelo ideal (arquétipos) de todas as coisas que existem no Mundo Sensível, com base nas quais as coisas foram criadas ou tendem a ser realizadas. Por seu turno o mundo sensível, o senso comum, contém todas as coisas que nos afectam os sentidos, são realidades dependentes, mutáveis e são imagens das realidades inteligíveis. As coisas que existem neste Mundo são mais ou menos perfeitas conforme a sua semelhança com os respectivos modelos.

Tal concepção de Platão também é conhecida por Teoria das Ideias ou Teoria das Formas. Foi desenvolvida como hipótese no diálogo Fédon2 e constitui uma maneira de garantir a possibilidade do conhecimento e fornecer uma inteligibilidade relativa aos fenómenos.

Para Platão, o mundo concreto percebido pelos sentidos é uma pálida reprodução do mundo das Ideias. Cada objecto concreto que existe participa, junto com todos os outros objectos de sua categoria de uma Ideia perfeita. Uma determinada caneta, por exemplo, terá determinados atributos (cor, formato, tamanho etc). Outra caneta terá outros atributos, sendo ela também uma caneta, tanto quanto a outra. Aquilo que faz com que as duas sejam canetas é, para Platão, a Ideia de Caneta, perfeita, que esgota todas as possibilidades de ser caneta. A ontologia de Platão diz, então, que é algo na medida em que participa da Ideia desse objecto. No caso da caneta, a questão filosófica é irrelevante, mas o foco de Platão são as coisas como o ser humano, o bem ou a justiça. Por exemplo, o que faz com que determinada árvore seja a mesma desde o estágio de semente até morrer, e o que faz com que ela seja tão árvore quanto outra de outra espécie mas com características tão diferentes?

O problema que Platão se propõe a resolver é a tensão entre Heráclito e Parmênides (3): para o primeiro, o ser é a mudança, tudo está em constante movimento e a estaticidade ou a permanência de qualquer coisa é uma ilusão; para o segundo, o movimento é que é uma ilusão, pois algo que é não pode deixar de ser e algo que não é, não pode passar a ser; assim, não há mudança.

Há aqui uma mudança, tanto da árvore em relação a si mesma (com o passar do tempo ela cresce) quanto da árvore em relação a outra. Para Heráclito, a árvore está sempre a mudar e nunca é a mesma, e para Parmênides, ela nunca muda, é sempre a mesma e a sua mudança é uma ilusão . Platão resolve esse problema com a sua Teoria das Ideias. O que há de permanente num objecto é a Ideia; mais precisamente, a participação desse objecto na sua Ideia correspondente e a mudança ocorre porque esse objecto não é uma Ideia, mas uma incompleta representação da Ideia desse objecto. No exemplo da árvore, o que faz com que ela seja ela mesma e seja uma árvore (e não outra coisa), a despeito de sua diferença daquilo que era quando mais jovem e de outras árvores de outras espécies (e mesmo das árvores da mesma espécie) é a sua participação na Ideia de Árvore; e a sua mudança deve-se ao facto de ser uma pálida representação da Ideia de Árvore.

Para sustentar a sua tese, Platão desenvolveu uma teoria gnosiológica, ou seja, uma teoria que explica como se pode conhecer as coisas, ou ainda, uma teoria do conhecimento. Segundo ele, ao ver um objecto repetidas vezes, uma pessoa lembra-se, aos poucos, da Ideia daquele objecto que viu no mundo das Ideias. Para explicar como se dá isso, Platão recorre a um mito (ou uma metáfora) segundo a qual, antes de nascer, a alma de cada pessoa vivia numa estrela, onde se localizam as Ideias. Quando uma pessoa nasce, a sua alma é “jogada” para a Terra, e o impacto que ocorre faz com que esqueça o que viu na estrela. Mas, ao ver um objecto aparecer de diferentes formas (como as diferentes árvores que se pode ver), a alma recorda-se da Ideia daquele objecto que foi visto na estrela. Tal recordação, em Platão, chama-se anamnesis.

Uma das condições para a indagação ou investigação acerca das Ideias é que não estamos em estado de completa ignorância sobre elas. Do contrário, não teríamos nem o desejo nem o poder de procurá-las. Em vista disso, é uma condição necessária, para tal investigação, que tenhamos na nossa alma alguma espécie de conhecimento ou lembrança do nosso contacto com as Ideias (contacto esse ocorrido antes do nosso próprio nascimento) e nos recordemos das Ideias ao vê-las reproduzidas palidamente nas coisas.

Deste modo, toda a ciência platónica é uma reminiscência. A investigação das Ideias supõe que as almas preexistiram numa região divina onde contemplavam as Ideias. Podemos tomar como exemplo o Mito da Parelha Alada, localizado no diálogo Fedro, de Platão. Neste diálogo, Platão compara a raça humana a carros alados. Tudo o que fazemos de bom, dá forças às nossas asas e tudo o que fazemos de errado, tira força das nossas asas. Ao longo do tempo fizemos tantas coisas erradas que as nossas asas perderam as forças e, sem elas para nos sustentarmos, caímos no Mundo Sensível, onde vivemos até hoje. A partir deste momento, fomos condenados a vermos apenas as sombras do Mundo das Ideias.

Assim podemos concluir que a Razão é uma forma de adquirir saber, científico ou outro do mundo inteligível, enquanto os sentidos são a forma de construir crenças ou opiniões que, essas sim, pertencem ao mundo dos sentidos.

Se por um lado Sócrates, discípulo de Platão foi assassinado, por expressar sua opinião e em querer mostrar um mundo totalmente diferente daquele que era então o status quo, por outro a filosofia exposta iria abrir portas a uma nova era de crenças religiosas.

Platão teorizou uma incrível síntese filosófica que abriu portas à expansão religiosa da idade de Cristo. A sua teoria de que o conhecimento pertence à razão, que esse é inteligível, perfeito e imaterial ao contrário dos sentidos que nos fornece conhecimentos precários, mutáveis e imperfeitos lançou os dados da nova humanidade. É certo que na sua visão, o conhecimento do mundo das ideias também se podia fazer por intermédio de formas empírica, no entanto, a “pálida representação” só era possível alcançar por meio de uma reminiscência de uma alma pré-existente.

Platão deixou um legado de espírito crítico enclausurado dentro da sua própria visão racionalista. Estavam lançados os dados das temáticas filosóficas para as quais ainda hoje buscamos aperfeiçoamento em nome de respostas mais cientificamente comprovadas.

Quase desde o início dos primórdios da humanidade que se debate a questão da genética versus o ambiente. Nem sempre fora a distinção entre as estas duas condicionantes de todos os seres vivos na terra tão apurada como hoje. Desde a antiguidade que o Homem se questiona sobre o que influência o seu ser, a natureza ou as condicionantes sociais externas. Desde que o homem começou a viver em sociedade que tem sempre existido aqueles que predominaram, governaram e comandaram os destinos das suas nações e da própria humanidade. Esses usaram por muitas vezes os conceitos de hereditariedade, propensão, tendência para justificar os seus reinados sobre súbditos ignorantes e por conseguinte, impotentes .

De um lado temos aqueles que defendem que o ser humano tem características genéticas e portanto pré estabelecidas, que determinam o nosso comportamento, raciocínio e acções. Por exemplo, defendem estes que, certa pessoa pode ter mais tendência para ser alcoólico do que outro porque o seu pai já sofria desse mal “genético”.

Por oposto teremos a teoria em que enquanto Homens, o nosso comportamento, crenças e acções são determinadas pelo ambiente que nos rodeia, diga-se a sociedade, a família e o meio ambiente. Nesta visão e com o mesmo tema, será defendido que certa pessoa tem mais propensão para ser alcoólico que outra porque os seus amigos e família o consomem em excesso.

Se à primeira teoria não podemos retirar a maior parte das nossas características físicas e fisiológicas, então à segunda não podemos deixar esvaziar o facto de ser ela determinante naquilo que realmente acreditamos, que acções praticamos e como nos comportamos.

Todos os estudos mais recentes têm concluído que o homem enquanto comportamento e acção é fruto, quase totalmente, do seu ambiente.

No entanto parece que hoje em dia é comum atribuir qualquer explicação científica humana à genética. Para justificar qualquer teoria com bases cientificas transforma-se qualquer incerteza social num factor genético.

Quando os genes são responsabilizados por qualquer faceta da vida humana, a afirmação é extremamente pesada, porque a genética implica a ideia de inevitabilidade natural.

Num estudo científico concluíu-se pela existência de um gene da criminalidade em que a sua portabilidade faria com que se tivesse grande propensão de se tornar criminoso. Se até recentemente reinava a tese entre os sociólogos que culpava a “sociedade” exclusivamente, pelo crime, ambas as explicações são tendenciosas e levam à óbvia eliminação da moral da história – literalmente – e da responsabilidade individual.

Se nascer com o gene da criminalidade, a sociedade deveria, em tese, aceitá-lo dessa forma como aceita pessoas portadoras de genes de outras características, sejam físicas, comportamentais ou emocionais, agradáveis ou desagradáveis. Afinal, se nasce assim, não tem culpa de assim ter nascido. Mas se a sociedade é culpada pela criminalidade, quem deve estar na cadeia é a sociedade, não o criminoso. Ambas as propostas pecam por excesso. Se fosse a genética a determinar a criminalidade então ter-se-ia de observar ao longo da história linhagens de “criminosos”, o que não se verifica. Por outro lado se fosse o meio ambiente, a sociedade a determinar o comportamento criminoso então não haveria pessoas de meios urbanos degradados que fossem cidadãos “honestos”, o que muitas vezes acontece.

Podemos então ir mais longe afirmando que existe um factor inato determinante da criminalidade quando constatamos que os homens mais novos praticam mais vezes crimes que os homens mais velhos e por sua ver do que as mulheres geral. Não se espera encontrar genes que façam pessoas serem assassinas, mas estão a ser identificados genes que fazem com que as pessoas fiquem mais inclinadas a reagir a algumas experiências violentamente. É o caso do gene chamado ”maoa”, que activa a produção da enzima monoamina oxidase A, fundamental para a comunicação entre os neurónios. (4) Deficiências na produção dessas enzimas explicariam por que alguns indivíduos se tornam agressivos em resposta a maus-tratos e, para alguns, explicaria porque é que eles se tornam criminosos.

Temos ainda outra visão relacionada com o suposto gene da opção sexual. Esta inevitabilidade natural afectaria a opção sexual de um proponente portador deste gene. Como pode um factor inevitável determinar desde antes da nascença uma opção que pode vir a ser tomada em qualquer sentido. A inevitabilidade evitável, se poderei assim chamar, seria quando proponentes da tese usam a inevitabilidade quando convém (o gene) e a descartam ao deixar a questão, em última análise, no universo das opções individuais (a opção) ou seja, a nível de livre arbítrio escolha, de cujo território nunca deveria ter saído. Houve uma óbvia tentativa politicamente correcta de inevitabilizar o evitável. A inevitabilização da opção!

II

Alguns estudos apontam para que ter um irmão mais velho o deixa mais propenso a ser homossexual. Isso acontece provavelmente por causa de uma interacção entre alguns genes da mãe, do feto e de alguma reacção imune a fetos anteriores.

Com este extremo, remove-se toda e qualquer aplicação de princípios morais, habituais e éticos, quaisquer que sejam, pois então até mesmo as opções de vida seriam genéticas e portanto, inevitáveis.

A situação complica-se no campo da ética, pois existem algumas pessoas que acreditam que a genética deve ser livremente manipulada no sentido de moldar uma futura humanidade mais “humana”. Sabemos como é eliminar as doenças, coisas desagradáveis como calvície, obesidade, tornar todas as crianças bonitas, acabar com as guerras.

E então entramos nas questões relevantes questionando quais serão as características genéticas desejáveis. Terá o direito de existir alguém que não tenha as características genéticas padronizadas? Se um individuo irá nascer com o gene da criminalidade dever-se-ia fazer uma alteração genética para evitar a sua propagação?

Esta temática não é nova e tem a sua génese no chamado Darwinismo Social. Charles Darwin desenvolveu a teoria da evolução por selecção, mas ao contrário do habitualmente se pensa, não só não foi o primeiro evolucionista como muitos pensam, como nem sequer foi o primeiro Darwin evolucionista. O seu avô Erasmus Darwin, médico e filósofo, já havia publicado em 1795 uma obra onde apresentava ideias evolucionistas precursoras de Lamarck. Após entrar em contacto com as ideias de Lamarck e posteriormente as de Thomas Malthus, sobre a dinâmica de crescimento populacional, Darwin finalmente concebeu o mecanismo evolutivo que seria a essência de toda a sua teoria. A Selecção Natural. A Selecção natural é o processo da evolução que melhor explica a adaptação e especialização dos seres vivos como evidenciado no registo fóssil. Outros mecanismos de evolução incluem deriva genética, fluxo génico e pressão de mutação.

O conceito básico de selecção natural reside em características favoráveis que são hereditárias tornam-se mais comuns em gerações sucessivas de uma população de organismos que se reproduzem ao contrário das características desfavoráveis que são hereditárias tornarem-se menos comuns.

Aplicada a teoria de Darwin ao nível social, o darwinismo social defende que existem características biológicas e sociais que determinariam que uma pessoa é superior à outra e que as pessoas que se enquadrassem nesses critérios seriam as mais aptas. Geralmente, alguns padrões determinados como indícios de superioridade num ser humano seriam o maior poder aquisitivo e a habilidade nas ciências humanas e exactas em detrimento das outras ciências, como a arte, por exemplo, e a raça da qual ela faz parte.

E voltamos à questão anterior em que, se usarmos como paradigma de aceitação a biologia evolutiva, por exemplo temos um problema sério com o gene da opção sexual. Um dos temas centrais da teoria da evolução é que as espécies evoluem no sentido de superarem as outras espécies na competição biológica: ou seja, almejam a auto-preservação acima de tudo. Visto que a reprodução da espécie é uma condição sine qua non para a sua preservação, e a primeira é impossível entre pessoas do mesmo sexo, a opção sexual de pessoas do mesmo sexo deveria ser considerada uma “disfunção genética”, ou pelo menos, antinatural ou anti evolutiva, e por lógica, traço indesejável sob uma óptica da evolução.

Por outro lado se usarmos como paradigma a pura e simples liberdade de acção, sem outras considerações éticas, a pessoa que nasceu com o gene da criminalidade teria o pleno direito de assim agir, aconteça o que acontecer.

Então podemos ser levados a usar o relativismo cultural como paradigma para aceitar alegadas inevitabilidades genéticas. Não saímos do mesmo ponto de inevitabilidade. Se o criminoso é fruto do meio ambiente em que cresceu então deveríamos combater esse mal mudando a própria sociedade e não enviá-los para a prisão onde o meio ambiente os fará escalar na sua actividade mais ainda.

Esta temática é nuclear porque propensões genéticas, ainda que detectadas, não podem servir de fundamentação para uma nova moral, sustentada em supostas bases científicas, humanísticas e modernistas, em conjunto com considerações paradigmáticas simplistas. É preciso ter muito cuidado com qualquer proposta de manipulação genética, pelo potencial e óbvio perigo da actividade e das teorias conexas. A história ensinou-nos, mas parece que não estamos recordados.

Desde o tempo de Platão que as elites governativas têm tentado controlar todos os aspectos da vida dos cidadãos comuns, desde programas de nascimento até à exterminação em massa dos indesejáveis, o pesadelo tem-se repetido vezes sem conta.

Thomas Robert Malthus foi um dos primeiros pesquisadores a tentar analisar dados demográficos e económicos para justificar a sua previsão de incompatibilidade entre o crescimento demográfico e a disponibilidade de recursos. Para Malthus, assim como para seus discípulos, qualquer melhoria no padrão de vida de grande massa é temporária, pois ela ocasiona um inevitável aumento da população, que acaba impedindo qualquer possibilidade de melhoria. Assim um colapso de falta de alimentos em massa seria até vantajoso porque iria acabar com os mais pobres.

A importância das suas teorias foram cruciais ao desenvolvimento de uma nova ciência que iria controlar a humanidade dora em diante. Esta teorias Mathusianas inspiraram o próprio Charles Darwin e foi um primo deste, Francis Golton baseado na sua obra, que criou o conceito de “Eugenia” que seria a melhora de uma determinada espécie através da selecção artificial, diga-se Dawinismo Social. A tese de Francis Golton afirmava que um homem notável teria filhos notáveis. O objectivo de Golton era incentivar o nascimento de indivíduos mais notáveis ou mais aptos na sociedade e desencorajar o nascimento dos inaptos. Propôs o desenvolvimentos de testes de inteligência para seleccionar homens e mulheres brilhantes, destinados à reprodução selectiva.

Esta teoria sempre teve presente desde Platão quando se estratificava a sociedade em classes ou raças. A famílias reais e notáveis sempre tiveram a obsessão pela reprodução, pela distinção genética entre as classes distintas.

A biométrica é o estudo estatístico das características físicas ou comportamentais dos seres vivos. O primeiro estudo moderno sobre a biometria foi feito por Johannes Evangelista Purkinje, um professor de anatomia da Universidade de Breslau, que propôs um sistema de classificação de impressões digitais. O uso moderno da biometria iniciou-se em 1858, quando Sir William Herschel passou a colectar impressões digitas nas costas dos contratos.

Em 1880, Dr. Henry Faulds propôs que os detalhes das papilas são únicos e que portanto as impressões digitais poderiam ser classificadas e usadas na solução de crimes. A biometria seria então a escala valorativa das características genéticas de um individuo na visão de Galton.

E no início do século XX esta teoria da eugenia encontrava-se por todo mundo começando a surgir algumas leis, nomeadamente nos Estados Unidos, que permitiram que pessoas “inferiores” classificadas por doenças mentais ou de baixa capacidade intelectual pudessem ser esterilizadas à força. Estas leis de esterilização tiveram o apoio de inúmeros “poderosos” e “ricos” entre os quais os Rockefeller. Já uns anos mais tarde, os Britânicos criaram a primeira rede de técnicos sociais expressamente destinada a servir e executar o culto da eugenia racial em larga expansão na sociedade ocidental. Seriam esses técnicos que iriam decidir quem poderia procriar, quem ficaria sem os filhos e mesmo quem deveria ser eliminado. Por volta de 1911 a família Rockefeller importa a eugenia para a Alemanha fundando um instituto que viria mais tarde a ser um pilar essencial no terceiro reich. Na “Mein Kamph”, Hitler admite ter-se inspirado na eugenia Americana. Esse terceiro Reich que todos sabemos onde acabou.

Mesmo depois da segunda grande guerra os cientistas, influentes e poderosos foram subtraídos da Alemanha vencida para outros países do mundo ocidental. As suas ideias e relações com os poderes instituídos mantiveram-se até à data de hoje. Um europeu judeu fugido de uma Alemanha nazi foi Albert Einstein.

Á data da segunda grande guerra já Einstein tinha descoberto a Teoria da Relatividade. Antes, a maior parte dos físicos pensava que a mecânica clássica de Isaac Newton, baseada na chamada relatividade de Galileu (origem das equações matemáticas conhecidas como transformações de Galileu) descrevia os conceitos de velocidade e força para todos os observadores (ou sistemas de referência). No entanto, Hendrik Lorentz e outros, comprovaram que as equações de Maxwell, que governam o electromagnetismo, não se comportam de acordo com a transformação de Galileu, quando o sistema de referência muda (por exemplo, quando se considera o mesmo problema físico a partir do ponto de vista de dois observadores com movimento uniforme um em relação ao outro). A noção de variação das leis da física, no que diz respeito aos observadores, é a que dá nome à teoria à qual se apõe o qualificativo de especial ou restrita por cingir-se apenas aos sistemas em que não se têm em conta os campos gravitacionais. Uma generalização desta teoria é a Teoria Geral da Relatividade, publicada igualmente por Einstein em 1915, incluindo os ditos campos.


III

A relatividade restrita também teve um impacto na filosofia, eliminando toda possibilidade de existência de um tempo e de durações absolutas no conjunto do universo (Newton) ou como dados a priori da nossa experiência (Kant). Depois de Henri Poincaré, a relatividade restrita obrigou os filósofos a reformular a questão do tempo. Em suma com a teoria da relatividade de Einstein, formaram-se novas variáveis que guiaram a humanidade, desta senda contra as comuns leis da físicas desenhadas no século XVIII por Newton entre outros.

Num estudo promovido pela instituição Royal Society, Newton foi considerado o cientista que causou maior impacto na história da ciência. Ao demonstrar a consistência que havia entre o sistema por si idealizado e as leis de Kepler do movimento dos planetas, foi o primeiro a demonstrar que o movimento de objectos, tanto na Terra como de corpos celestes, são governados pelo mesmo conjunto de leis naturais. O poder unificador e profético de suas leis era centrado na revolução científica, no avanço do heliocentrismo e na difundida noção de que a investigação racional pode revelar o funcionamento mais intrínseco da natureza. A história mais popular é a da maçã de Newton. Se por um lado essa história seja mito, o fato é que dela surgiu uma grande oportunidade para se investigar mais sobre a Gravitação Universal. Essa história envolve muito humor e reflexão. Muitos relatos sugerem que a maçã bateu realmente na cabeça de Newton, quando este se encontrava num jardim, sentado debaixo de uma macieira, e que seu impacto fez com que, de algum modo, ele ficasse ciente da força da gravidade, perguntando-se: “Eu como essa maçã ou não?”. A pergunta não era se a gravidade existia, mas se ela se estenderia tão longe da Terra que poderia também ser a força que prende a Lua à sua órbita. Newton provou que, se a força diminuísse com o quadrado inverso da distância, poderia então calcular correctamente o período orbital da Lua. Ele supôs ainda que a mesma força seria responsável pelo movimento orbital de outros corpos, criando assim o conceito de “gravitação universal”. O escritor contemporâneo William Stukeley e o poeta Voltaire foram duas personalidades que citaram a tal maçã de Newton em alguns de seus textos.

Newton foi uns dos raros indivíduos que mudaram o rumo dos acontecimentos da humanidade preconizando a revolução científica do século XVII e XVIII. Entre outros Antoine Lavoisier foi também fundamental porque novamente as suas os novos avanços na física, química, matemática e astronomia viriam a influenciar outras áreas como a filosofia.

A Lei da Conservação das Massas foi publicada pela primeira vez 1760, num ensaio de Mikhail Lomonosov. No entanto, a obra não repercutiu na Europa Ocidental, cabendo ao francês Antoine Lavoisier o papel de tornar mundialmente conhecido o que hoje se chama Lei de Lavoisier. De acordo com essa lei, em qualquer sistema, físico ou químico, nunca se cria nem se elimina matéria, apenas é possível transformá-la de uma forma em outra. Portanto, não se pode criar algo do nada nem transformar algo em nada (“Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”). Logo, tudo que existe provém de matéria preexistente, só que sob uma outra forma, assim como tudo o que se consome, apenas perde a forma original, passando a adoptar uma outra. Tudo se realiza com a matéria que é proveniente do próprio planeta, apenas havendo a retirada de material do solo, do ar ou da água, o transporte e a utilização desse material para a elaboração do consumo desejado, sua utilização para a população e, por fim, a disposição, na Terra, em outra forma, podendo muitas vezes ser reutilizado.

A lei da conservação da massa explica um dos grandes problemas com o qual nos defrontamos actualmente: a poluição ambiental, compreendendo água, solo e ar. O facto de não ser possível consumir a matéria até sua aniquilação implica a geração de resíduos em todas as actividades dos seres vivos, resíduos esses indesejáveis a quem os eliminou, mas que podem ser reincorporados ao meio, para posteriormente serem reutilizados. Esse processo denomina-se reciclagem e ocorre na natureza por meio dos ciclos bioquímicos, nos quais interagem mecanismos que tornam os resíduos aproveitáveis em outra forma. Quando não existe um equilíbrio entre consumo e reciclagem, podem advir consequências desastrosas ao meio ambiente, tais como eutrofização [10] dos lagos, contaminação dos solos por pesticidas e fertilizantes, etc.

Actualmente, o mundo vive em plena era do desequilíbrio, uma vez que os resíduos são gerados em ritmo muito maior que a capacidade de reciclagem do meio. A Revolução Industrial do século XIX introduziu novos padrões de produção de resíduos, que surgem em quantidades excessivamente maiores que a capacidade de absorção da natureza e de maneira tal que ela não é capaz de absorver e reciclar (materiais sintéticos não-biodegradáveis). Preocupado em utilizar métodos quantitativos, Lavoisier tinha a balança como um de seus principais instrumentos em actividades experimentais.

Assim, por exemplo, quando 2 gramas de hidrogénio reagem com 16 gramas de oxigénio verifica-se a formação de 18 gramas de água; do mesmo modo, quando 12 gramas de carbono reagem com 32 gramas de oxigénio ocorre a formação de 44 gramas de gás carbónico. Através de seus trabalhos, pôde enunciar uma lei que ficou conhecida como Lei da Conservação das Massas ou Lei de Lavoisier: “Numa reacção química que ocorre num sistema fechado, a massa total antes da reacção é igual à massa total após a reacção”.

Filosoficamente falando, “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. A revolução cientifica do século XVIII implicou transformações tecnológicas, sociais e filosóficas que abriram as portar da revolução industrial do século XIX.

Voltando ao século XX, a Albert Einstein, as suas descobertas científicas implicaram não só transformações tecnológicas como também sociais e filosóficas. No seu trabalho publicado em Maio de 1949 no lançamento da Monthly Review sob o título: “Porquê o socialismo?”, Einstein escreve:

“O homem é, simultaneamente, um ser solitário e um ser social. Enquanto ser solitário, tenta proteger a sua própria existência e a daqueles que lhe são próximos, satisfazer os seus desejos pessoais, e desenvolver as suas capacidades inatas. Enquanto ser social, procura ganhar o reconhecimento e afeição dos seus semelhantes, partilhar os seus prazeres, confortá-los nas suas tristezas e melhorar as suas condições de vida. Apenas a existência destes esforços diversos e frequentemente conflituosos respondem pelo carácter especial de um ser humano, e a sua combinação específica determina até que ponto um indivíduo pode atingir um equilíbrio interior e pode contribuir para o bem-estar da sociedade. É perfeitamente possível que a força relativa destes dois impulsos seja, no essencial, fixada por herança. Mas a personalidade que finalmente emerge é largamente formada pelo ambiente em que um indivíduo acaba por se descobrir a si próprio durante o seu desenvolvimento, pela estrutura da sociedade em que cresce, pela tradição dessa sociedade, e pelo apreço por determinados tipos de comportamento. O conceito abstracto de “sociedade” significa para o ser humano individual o conjunto das suas relações directas e indirectas com os seus contemporâneos e com todas as pessoas de gerações anteriores. O individuo é capaz de pensar, sentir, lutar e trabalhar sozinho, mas depende tanto da sociedade – na sua existência física, intelectual e emocional – que é impossível pensar nele, ou compreendê-lo, fora da estrutura da sociedade. É a “sociedade” que lhe fornece comida, roupa, casa, instrumentos de trabalho, língua, formas de pensamento, e a maior parte do conteúdo do pensamento; a sua vida foi tornada possível através do trabalho e da concretização dos muitos milhões passados e presentes que estão todos escondidos atrás da pequena palavra “sociedade”.”

Este trabalho foi como que a conclusão socialista de Einstein sobre a sua visão do que é a sociedade e especialmente do impacto que tem no ser humano, física e intelectualmente. Se acima nos debruçámos sobre essas temáticas, curiosamente se voltarmos à primeira página deste livro irá o caro leitor reparar que dois mil anos volvidos as premissas e a própria conclusão, são na sua globalidade, idênticas.

Na Alegoria da Caverna, Platão retrata a vida do ser humano onde as sombras são a única ideia ou realidade permitida ao indivíduo. Para sair dessa ilusão bastaria um pequeno esforço, uma salvação vinda de um filosofo. Mas se a vida já é complicada mesmo nessa ilusão quem é que quer fazer o caminho em direcção à luz não sabendo o que de lá possa vir. Nos tempos de hoje a televisão é um bom exemplo deste teorema. Controlada a informação com que constantemente somos bombardeados a nossa realidade é apenas uma sombra. As ideias são-nos impostas e quando os governantes mantêm os seus eleitores futuros eleitores na ignorância estão a projectar as sombras na parede. O primeiro passo a tomar para libertar a humanidade da ilusão é consciencializarmo-nos desse estado. A humanidade é mantida numa servidão consentida usando para tal os mais avançados meios de controle e domínio sobre quase todos os seres humanos deste planeta. E porque é que esta alegoria se mantém mais actual que nunca? Continuamos com o excerto de Einstein:

“É evidente, portanto, que a dependência do indivíduo em relação à sociedade é um facto da natureza que não pode ser abolido – tal como no caso das formigas e das abelhas. No entanto, enquanto todo o processo de vida das formigas e abelhas é reduzido ao mais pequeno pormenor por instintos hereditários rígidos, o padrão social e as interrelações dos seres humanos são muito variáveis e susceptíveis de mudança. A memória, a capacidade de fazer novas combinações, o dom da comunicação oral tornaram possíveis os desenvolvimentos entre os seres humanos que não são ditados por necessidades biológicas. Estes desenvolvimentos manifestam-se nas tradições, instituições e organizações; na literatura; nas obras científicas e de engenharia; nas obras de arte. Isto explica a forma como, num determinado sentido, o homem pode influenciar a sua vida através da sua própria conduta, e como neste processo o pensamento e a vontade conscientes podem desempenhar um papel.” E nisso Platão foi exímio.

Por fim: “O homem adquire à nascença, através da hereditariedade, uma constituição biológica que devemos considerar fixa ou inalterável, incluindo os desejos naturais que são característicos da espécie humana. Além disso, durante a sua vida, adquire uma constituição cultural que adopta da sociedade através da comunicação e através de muitos outros tipos de influências. É esta constituição cultural que, com a passagem do tempo, está sujeita à mudança e que determina, em larga medida, a relação entre o indivíduo e a sociedade. A antropologia moderna ensina-nos, através da investigação comparativa das chamadas culturas primitivas, que o comportamento social dos seres humanos pode divergir grandemente, dependendo dos padrões culturais dominantes e dos tipos de organização que predominam na sociedade. É nisto que aqueles que lutam por melhorar a sorte do homem podem fundamentar as suas esperanças: os seres humanos não estão condenados, devido à sua constituição biológica, a exterminarem-se uns aos outros ou a ficarem à mercê de um destino cruel e auto-infligido.”

Esta última frase é exactamente a base da filosofia e modelo de sociedade proposto por Jacque Fresco. Como abaixo iremos demonstrar a força que a sociedade tem sobre o próprio ser humano pode ser usada em seu benefício aplicando as próprias descobertas científicas ao redesenhar da própria sociedade. Para tal é necessário, nas palavras de Krishnamurti [12] “uma revolução radical na consciência individual”.

Mas antes de nos alongarmos sobre esta temática e mantendo o fio condutor Einstein referiu-se a um contemporâneo seu, indiano nos seguintes termos: “Acredito que a visão de Ghandi é a mais iluminada de todos os políticos do nosso tempo. Devemos agir com esse espírito de não só, não usar violência quando defendemos as nossas causas como rejeitar a participação em qualquer coisa que sentimos ser má.”. Albert Einstein saudou-o como “porta-voz da humanidade”.

Sobre Gandhi, Albert Einstein também disse que as gerações por vir terão dificuldade em acreditar que um homem como este realmente existiu e caminhou sobre a Terra. Mohandas Karamchand Gandhi mais conhecido popularmente por Mahatma Gandhi (do sânscrito “Mahatma”, “A Grande Alma”) foi o idealizador e fundador do moderno Estado indiano e o maior defensor do Satyagraha como um meio de revolução, desde de Jesus Cristo.

Para Ghandi “a regra de ouro consiste em sermos amigos do mundo e em considerarmo-nos como uma família humana global. Quem faz distinção entre os fiéis da própria religião e os de outra, deseduca os membros da sua religião e abre caminho para o abandono, a irreligião. “

A filosofia de Gandhi e suas ideias sobre o satya e o ahimsa foram influenciadas pelo Bhagavad Gita e por crenças hindus e da religião jainista. O conceito de ‘não-violência’ (ahimsa) permaneceu por muito tempo no pensamento religioso da Índia e pode ser encontrado em diversas passagens do textos hindus, budistas e jainistas. Gandhi explica sua filosofia como um modo de vida em sua autobiografia As Minhas Experiências com a Verdade, em Portugal – (The Story of my Experiments with Truth).

O princípio do satyagraha, frequentemente traduzido como “o caminho da verdade” ou “a busca da verdade”, também inspirou gerações de activistas democráticos e anti-racismo. As profundas características pessoais que levaram Mohandas Karamchand Gandhi a tornar-se um revolucionário pacifista, contribuindo decisivamente para a independência da Índia e para a transformação do Império Britânico em comunidade Britânica, podem ser resumidas em dois princípios básicos seguidos pelo líder indiano: “ahimsa” (não-violência) e “satyagraha” (a busca da verdade), valores da crença tradicional hindu.

Ahimsa, cuja tradução literal é “evitar a dor (himsa)”, define o princípio essencial da não-violência. Para Gandhi, trata-se da mais poderosa força do ser humano. Como conceito, invoca a não-violência e o respeito e reverência por toda forma de vida. A primeira menção a ahimsa na filosofia indiana provém dos Upanishads, escrituras hindus que remetem ao ano 800 a. C.

Difundidos pelo mestre, esses preceitos serviram de inspiração a outros grandes líderes, como Martin Luther King e Nelson Mandela, e continuam cada vez mais necessários e instigantes, np mundo de contradições pessoais e sociais em que vivemos.

Gandhi foi justamente quem apresentou ao mundo ocidental o conceito de ahmisa. Além da citada influência sobre o movimento pacífico pelos direitos civis, liderado por Luther King Jr., o ahimsa passou a ser mais difundido no ocidente a partir do crescimento do interesse pela ioga e pela meditação.

IV

A meditação encontra-se no meio de dois pólos; a concentração e a contemplação. É comummente associada a religiões orientais. Há dados históricos que comprovam que é tão antiga quanto a humanidade. [..] Não sendo exactamente originária de um povo ou região, desenvolveu-se em várias culturas diferentes e recebeu vários nomes, floresceu no Egipto (o mais antigo relato), Índia, entre o povo Maia, etc. Apesar da associação entre as questões tradicionalmente relacionadas à espiritualidade e essa prática, a meditação pode também ser praticada como um instrumento para o desenvolvimento pessoal num contexto não religioso.

Foi num contexto parcialmente religioso, e no seguimento dos ensinamentos de Ghandi que Martin Luther King Jr. desenvolveu os ideais de activismo de não-violência nos E.U.A.

Em 1955, Rosa Parks, uma mulher negra, negou dar seu lugar num autocarro a uma mulher branca e foi presa. Os líderes negros da cidade organizaram um boicote aos autocarros de Montgomery afim de protestar contra essa a segregação racial. Naquela época, recente do século passados diga-se, não existia igualdade racial e esta espelhava-se em diversos sectores na sociedade americana nomeadamente no uso de transportes colectivos, casas de banho publicas e outros. Durante a campanha de 381 dias, co-liderada por King, muitas ameaças foram feitas à sua vida, foi preso e viu sua casa ser atacada. No entanto o boicote foi encerrado com a decisão da Suprema Corte Americana em tornar ilegal a discriminação racial em transportes públicos.

Depois dessa batalha, Martin Luther King participou da fundação da Conferência de Liderança Cristã do Sul (SCLC, Southern Christian Leadership Conference), em 1957. A SCLC deveria organizar o activismo em torno da questão dos direitos civis. King manteve-se à frente da SCLC até sua morte, o que foi criticado pelo mais democrático e mais radical Comitê Não-Violento de Coordenação Estudantil (SNCC, Student Nonviolent Coordinating Committee). O CLCS era composto principalmente por comunidades negras ligadas a igrejas batistas. King era seguidor das ideias de desobediência civil não-violenta preconizadas por Mohandas Gandhi (líder político indiano também conhecido como Mahatma Gandhi), e aplicava essas ideias nos protestos organizados pelo CLCS. King acertadamente previu que manifestações organizadas e não-violentas contra o sistema de segregação predominante no sul dos EUA, atacadas de modo violento por autoridades racistas e com ampla cobertura dos média, iriam criar uma opinião pública favorável ao cumprimento dos direitos civis; e essa foi a acção fundamental que fez do debate acerca dos direitos civis o principal assunto político nos EUA a partir do começo da década de 1960. Martin Luther King Jr. profere o seu famoso discurso “Eu tenho um sonho” em Março de 1963 frente ao Memorial Lincoln em Washington, durante a chamada “marcha pelo emprego e pela liberdade”.

Ele organizou e liderou marchas a fim de conseguir o direito ao voto, o fim da segregação, o fim das discriminações no trabalho e outros direitos civis básicos. A maior parte destes direitos foi, mais tarde, agregada à lei Norte Americana com a aprovação da Lei de Direitos Civis (1964), e da Lei de Direitos Eleitorais (1965).

King e o CLCS escolheram com grande acerto os princípios do protesto não-violento, ainda que como meio de provocar e irritar as autoridades racistas dos locais onde se davam os protestos – invariavelmente estes últimos retaliavam de forma violenta.

Em 14 de outubro de 1964 King tornou-se a pessoa mais jovem a receber o Nobel da Paz, que lhe foi outorgado em reconhecimento a sua naçao e à sua liderança na resistência não-violenta e pelo fim do preconceito racial nos Estados Unidos.

King era um ser humano e não um Deus, ainda que estafado e constantemente inundado em trabalho, enfrentou a sua missão como divina e sem vacilar:

“Não precisamos discutir com ninguém. Não precisamos praguejar e sair por ai agredindo as pessoas com as nossas palavras. Não precisamos de pedras ou garrafas. Precisamos simplesmente circular por ai (…) e dizer: Deus nos enviou aqui para lhes dizer que vocês não tratam bem os Seus filhos. E viemos aqui lhe pedir que o primeiro item de sua agenda seja o tratamento justo dos filhos de Deus.

Bem não sei o que acontecerá agora. Dias difíceis virão. Mas não me importo. Pois eu estive no topo da montanha. E não me importo. Como qualquer pessoa, gostaria de viver uma vida longa. A longevidade tem seu lugar. Mas não me preocupo com isso agora. Apenas desejo obedecer os desígnios de Deus. E Ele me levou ao topo da montanha, olhei ao redor e contemplei a Terra Prometida. Posso não alcança-la, mas quero que saibam, que nós, como povo (de Deus), chegaremos à Terra Prometida. Estou tão feliz. Não me preocupo com nada; não temo homem algum. Meus olhos viram a Glória da Presença do Senhor.” – 3 de Abril de 1968, Templo Mason, Memphis, Tennessee. Pouca horas antes de ser assassinado.

De entre estas palavras, das ultimas e das anteriores vislumbram-se as ideias que grandes e homens brilhantes defenderam e pregaram. Sem dúvida que sentimos que a história se repete como abaixo iremos expor.

Durante estes anos King foi alvo de três atentados com bombas, uma vez esfaqueado, e no dia em que foi assassinado comentou com os amigos que o seu fim estava próximo: “não irei chegar aos 40 anos, não porque não quero mas porque não me vão deixar” – comentava com os amigos. No dia 4 de Abril de 1968, foi baleado mortalmente quando se encontrava na varanda do seu quarto no Lorraine Motel em Memphis, TN. E mesmo no seu último segundo de vida, apagou o cigarro que estava a fumar na própria mão porque não gostava que as ciranças o vissem a fumar.

Martin Luther King Jr. foi filho de Luther King Sénior O reverendo Martin Luther King, pai (Stockbridge, 19 de dezembro de 1899 — Atlanta, 11 de novembro de 1984) foi pastor batista, líder pioneiro na defesa dos direitos civis e defensor da justiça social. Conhecido como King Sénior ou King Pai (Daddy King), nos Estados Unidos, para diferenciar-se de seu filho – o defensor dos direitos civis Martin Luther King Jr. – nasceu com o nome de Michael King. Foi pastor da Igreja Batista Ebenezer, de Atlanta. Como liderança do movimento dos direitos civis dos afro-americanos, chefiou a secção de Atlanta da National Association for the Advancement of Colored People (Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor, numa tradução livre) e a Civic and Political League (Liga Cívica e Política), tendo encorajado seu filho a tornar-se activo membro do movimento.

A Igreja Baptista é uma denominação cristã caracterizada pela rejeição ao batismo infantil, optando em seu lugar pelo baptismo de fé, sempre através da imersão. O nome é derivado de uma comissão para que os seguidores de Jesus Cristo fossem baptizados, os baptistas interpretam o baptismo — imergir em água — como uma exposição bíblica e pública de sua fé. Enquanto o termo “batista” tem suas origens com os anabatistas, e às vezes foi visto como pejorativo, a denominação historicamente é ligada aos dissidentes ingleses, ou movimentos de anticonformismo do século XVI. O movimento baptista surgiu na colónia inglesa na Holanda, num tempo de reforma religiosa intensa. Os baptistas tipicamente são considerados protestantes históricos.

Protestantismo é a denominação dada a um dos grandes ramos do Cristianismo. O Protestantismo refere-se ao conjunto de igrejas cristãs e doutrinas que se identificam com as teologias desenvolvidas no século XVI na Europa Ocidental, na tentativa de reforma da Igreja Católica Apostólica Romana, por parte de um importante grupo de teólogos e clérigos, entre os que se destacam o ex-monge agostiniano Martinho Lutero, de quem as igrejas luteranas tomam seu nome. Porém, a maior parte dos cristãos europeus (especialmente na Europa meridional) se opuseram as tentativas de reforma, o que produziu um cisma no Cristianismo ocidental resultante da separação entre as emergentes igrejas reformadas e a Igreja Católica. Uma das consequências imediatas da Reforma foi a chamada Contra-Reforma, que reafirmou explicitamente todas aquelas doutrinas rechaçadas pelo protestantismo (Concílio de Trento).

V

O Concílio de Trento foi o concílio ecuménico mais longo da História da Igreja Católica. Foi também o concílio que “emitiu o maior número de decretos dogmáticos e reformas, e produziu os resultados mais benéficos”, duradouros e profundos “sobre a fé e a disciplina da Igreja”.

Isso mesmo, religião, dogmatimos e autoridade em pleno surgimento da Renascensa.

Na sequência da Reforma protestante, o mundo cristianizado ocidental, até então hegemonicamente católico, viu-se dividido entre cristãos católicos e cristãos não mais alinhados com as directrizes da Santa Sé. O catolicismo havia perdido terreno, deixando de ser a religião oficial de muitos estados da Europa e, consequentemente, o mesmo ameaçava repetir-se nas colónias do Novo Mundo. Nesse contexto, surgiu a necessidade de reformas na igreja católica, a fim de e reestruturá-la e barrar o avanço protestante.

De acordo com Burns a Renascença foi acompanhada de um outro movimento – a Reforma. “Este movimento compreendeu duas fases principais: a Revolução Protestante, que irrompeu em 1517 e levou a maior parte da Europa setentrional a separar-se da igreja romana, e a Reforma Católica, que alcançou o auge em 1560. Embora a última não seja qualificada de revolução, na verdade o foi em quase todos os sentidos do termo, pois pareceu que efectuou uma alteração profunda em alguns dos característicos mais notáveis do catolicismo da Idade Média.

O período que se seguiu ao Concílio de Trento foi marcado por uma grande renovação da vida católica. A reforma fundada nos decretos e nas constituições tridentinas foi levada a efeito pelos papas que se sucederam. Foi criado o “Index Librorium Proibitorium” ( Índice de Livros Proibidos ) para evitar a propagação de idéias contrárias à fé da Igreja Católica. Todos estes livros proibidos eram queimados, a Igreja Católica proibiu-os de serem lidos. Publicou-se uma Catecismo Romano, um Missal e um Breviário por ordem de São Pio V.

E se por um lado estávamos em plena renascença, e embora já alguns questionassem a religião em si, não podemos de deixar de referir que esta reforma da igreja cristã se deu em sintonia com as ideias de por muitos considerado, o maior génio da humanidade, Leonardo da Vinci.

Leonardo frequentemente foi descrito como o arquétipo do homem do Renascimento, alguém cuja curiosidade insaciável era igualada apenas pela sua capacidade de invenção.

Leonardo é reverenciado por sua engenhosidade tecnológica; concebeu ideias muito à frente de seu tempo, como um helicóptero, um tanque de guerra, o uso da energia solar, uma calculadora, o casco duplo nas embarcações, e uma teoria rudimentar das placas tectónicas. Um número relativamente pequeno dos seus projectos chegou a ser construído durante sua vida (muitos nem mesmo eram exequíveis, mas algumas de suas invenções menores, como uma bobina automática, e um aparelho que testa a resistência à tracção de um fio, entraram sem crédito algum para o mundo da indústria. Como cientista, foi responsável por grande avanço do conhecimento nos campos da anatomia, da engenharia civil, da óptica e da hidrodinâmica.

Leonardo da Vinci é considerado por vários o maior génio da história, devido a sua multiplicidade de talentos para ciências e artes, sua engenhosidade e criatividade, além de suas obras polémicas.

Leonardo da Vinci é, sobretudo, um homem radicalmente interessado em todos os campos do saber e do conhecimento. E se fundamentalmente é conhecido como pintor – um dos maiores pintores de todos os tempos – e, por isso, tem um lugar garantido e de destaque numa história de arte – é igualmente verdade que, neste campo, também se dedicou à escultura (embora todas as suas obras de escultura se tenham perdido) e à arquitectura.

Igualmente se interessou pela engenharia, designadamente pela engenharia militar, campo no qual inventa uma enorme quantidade de maquinaria, desde as famosa máquinas voadoras, cujos desenhos todos conhecemos, aos carros de assalto e aos submersíveis.

O seu interesse vital parece ter sido, portanto, a investigação científica. Por esta diversificação de áreas de interesse e pela sua genialidade em todas elas, Leonardo transcende em muito os limites de uma história da arte para poder ser considerado uma figura pertencente à história da cultura, à história do espírito humano e das suas realizações ou, pelo menos, das suas ambições.

Leonardo vive um tempo histórico que sem define a si mesmo como um tempo de Renascimento. E entende Renascimento, no seu significado literal, como re-nascença do homem, nascimento, outra vez, do homem,, de um homem novo e renovado (por oposição ao homem medieval). Nascimento ou, mais precisamente, re-nascimento do homem para o homem, para uma vida autenticamente humana, porque fundada naquilo que o homem tem de mais seu: as artes, a instrução, a investigação, e que fazem dele um ser diferente de todos os outros. Enfim, regresso do homem a si mesmo, regresso do homem à sua dimensão humana. Para que o homem se possa reencontrar a si mesmo como homem, o renascimento aponta como caminho o “regresso às origens”, o “regresso às fontes”. As fontes originais encontram-se na Antiguidade Clássica e nas suas produções culturais. O que devia renascer eram, portanto, a arte e a cultura clássicas e, através delas, o homem.

A Idade Média aparece, aos olhos dos renascentistas, apenas como “uma longa noite de mil anos”, uma época de trevas e de obscurantismo, um tempo em que o homem, totalmente esquecido de si, morre para fazer viver Deus e, por isso, uma época a esquecer, um interregno na vida do homem – eis porque lhe chamaram Idade Média, isto é, uma idade que medeia, que está entre parêntesis e que é um parêntesis na vida e na história do homem, época de sono em que o homem adormeceu. Após a longa Idade Média trata-se, agora, de re-acordar o homem, de re-começar a partir do ponto em que a vida foi interrompida pelo sono, de re-nascer. E esse ponto original, brutalmente interrompido pela medievalidade, essas fontes esquecidas, encontram-se na clara luminosidade da época clássica, na Antiguidade grega e latina, sobretudo nos textos que produziu. Conhecer em primeira mão os textos clássicos e os autores clássicos, ler, no original, – em grego e em latim – os textos que esses autores escreveram, beber a cultura original. Exige-se, pois, uma leitura directa dos grandes autores clássicos, recusando os processos medievais do conhecimento através de comentários e de comentários de comentários… E eis o traço mais característico do Renascimento: o Humanismo.

O humanismo renascentista é também um humanismo muito mais individualista que o da época clássica. Não somos apenas homens, com algo comum a todos os homens, somos também indivíduos, com algo único. Esta ideia deu origem, no Renascimento, a uma veneração do génio . O ideal de homem, e todas as épocas o têm, é precisamente aquilo a que hoje chamamos o homem renascentista , isto é, um homem que se ocupa e se interessa por todos os domínios da vida, da arte e da ciência, um homem a que nada do que é humano pode ser alheio. E, neste aspecto, Leonardo da Vinci, é o homem típico do Renascimento porque, mais que em nenhuma outra personalidade, nele se realiza esse ideal.

O regresso à natureza e o naturalismo vão permitir o nascimento de uma nova ciência. A possibilidade do aparecimento das novas ciências da natureza radica, ainda, na liberdade de investigação e na autonomia da razão, tão reivindicadas pelos renascentistas. Pode-se conhecer a natureza e proceder à sua investigação e observação directas. A investigação científica é uma investigação baseada na observação e na experiência, tal como o mostram os trabalhos de Galileu e as intuições de Leonardo. Recurso à experiência sensível, interrogando a própria natureza e obrigando-a a responder. De facto, os novos processos de investigação da natureza apresentam-se como um diálogo do homem com a natureza, só assim sendo possível chegar a uma explicação natural dos fenómenos naturais, a uma explicação da natureza pela natureza, ficando garantida a objectividade dessa explicação.

E neste prisma terá sido o segundo pai do espírito critico e do método cientifico hoje usado por Jacque Fresco como o modelo de um nova sociedade balizada por decisões técnicas e naturais ao invés da oligarquia, absolutismo e domínio que hoje se vive. Tal e qual aplicado por Galileu que veio defender quase um século depois teorias preconizadas por Copérnico.

Nicolau Copérnico nascido em 1473 foi um astrónomo e matemático polaco que desenvolveu a teoria heliocêntrica do Sistema Solar. Foi também cónego da Igreja Católica, governador e administrador, jurista, astrólogo e médico.

A sua teoria do Heliocentrismo, que colocou o Sol como o centro do Sistema Solar, contrariando a então vigente teoria geocêntrica (que considerava, a Terra como o centro), é tida como uma das mais importantes hipóteses científicas de todos os tempos, tendo constituído o ponto de partida da astronomia moderna.

Os filósofos do século XV aceitavam o geocentrismo como fora estruturado por Aristóteles e Ptolomeu. Esse sistema cosmológico afirmava (corretamente) que a Terra era esférica, mas também afirmava (erradamente) que a Terra estaria parada no centro do Universo enquanto os corpos celestes orbitavam em círculos concêntricos ao seu redor. Essa visão geocêntrica tradicional foi abalada por Copérnico em 1537, quando este começou a divulgar um modelo cosmológico em que os corpos celestes giravam ao redor do Sol, e não da Terra. Essa era uma teoria de tal forma revolucionária que Copérnico escreveu no seu De revolutionibus orbium coelestium (do latim: “Das revolucões das esferas celestes”): “quando dediquei algum tempo à ideia, o meu receio de ser desprezado pela sua novidade e o aparente contra-senso quase me fez largar a obra feita”.

Como Copérnico tinha por base apenas suas observações dos astros a olho nu e não tinha possibilidade de demonstração da sua hipótese, muitos homens de ciência acolheram com cepticismo as suas ideias. Apesar disso, o trabalho de Copérnico marcou o início de duas grandes mudanças de perspectiva. A primeira, diz respeito à escala de grandeza do Universo: avanços subsequentes na astronomia demonstraram que o universo era muito mais vasto do que supunham quer a cosmologia aristotélica quer o próprio modelo copernicano; a segunda diz respeito à queda dos graves. A explicação aristotélica dizia que a Terra era o centro do universo e portanto, o lugar natural de todas as coisas. Na teoria heliocêntrica,contudo, a Terra perdia esse estatuto, o que exigiu uma revisão das leis que governavam a queda dos corpos, e mais tarde, conduziu Isaac Newton a formular a lei da gravitação universal.

Naquele tempo a Igreja Católica aceitava essencialmente o geocentrismo aristotélico, (embora a esfericidade da Terra estivesse em aparente contradição com interpretações literais de algumas passagens bíblicas). Ao contrário do que se poderia imaginar, durante a vida de Copérnico não se encontram críticas sistemáticas ao modelo heliocêntrico por parte do clero católico. De facto, membros importantes da cúpula da Igreja ficaram positivamente impressionados pela nova proposta e insistiram para que essas ideias fossem mais desenvolvidas. Contudo a defesa, quase um século depois, por Galileu Galilei, da teoria heliocêntrica vai deparar-se com grandes resistências no seio da mesma Igreja Católica.

Galileu Galilei desenvolveu os primeiros estudos sistemáticos do movimento uniformemente acelerado e do movimento do pêndulo. Descobriu a lei dos corpos e enunciou o princípio da inércia e o conceito de referencial inercial, ideias precursoras da mecânica newtoniana. Galileu melhorou significativamente o telescópio refractor e com ele descobriu as manchas solares, as montanhas da Lua, as fases de Vénus, quatro dos satélites de Júpiter, os anéis de Saturno, as estrelas da Via Láctea. Estas descobertas contribuíram decisivamente na defesa do heliocentrismo. Contudo a principal contribuição de Galileu foi para o método científico, pois a ciência assentava numa metodologia aristotélica.

O físico desenvolveu ainda vários instrumentos como a balança hidrostática, um tipo de compasso geométrico que permitia medir ângulos e áreas, o termómetro de Galileu e o precursor do relógio de pêndulo. O método empírico, defendido por Galileu, constitui um corte com o método aristotélico mais abstracto utilizado nessa época, devido a este Galileu é considerado como o “pai da ciência moderna”.

No entanto de muitos outros Galileu recolheu informação, bebendo literalmente da taça da ciência humana universal, entre eles Kepler. Newton viria a declarar: “Se cheguei longe, foi porque me apoiei nos ombros de gigantes” – Kepler seria um deles. Apoiados uns nos outros. Foi sempre em cooperação que a humanidade evoluiu. E era dentro de si, parte da Natureza, que se encontravam as respostas. “Quanto mais o homem avança na penetração dos segredos da natureza, melhor se desvenda a universalidade do plano eterno.” – Johannes Kepler

Johannes Kepler, filho de Henrich Kepler e Katharina Guldenmann, nasceu a 27 de Dezembro de 1571, na pequena cidade católica de Weil der Stadt, no sul da Alemanha. O seu pai, militar, partiu para os Países Baixos em 1574 e a sua mãe seguiu-o um ano depois. Kepler ficou com seus avós, em Weil, até ao regresso dos seus pais, em 1576.

Max Caspar1 refere dois acontecimentos da infância de Kepler que o terão marcado profundamente: em 1577, a mãe deu-lhe a ver um cometa no céu e, em 1 580, o pai levou-o a ver um eclipse lunar. Dada a sua fraca estatura física2, por orientação dos professores e por desejo próprio, Kepler foi para o seminário “Stift”. A sua aplicação e bom desempenho no exame de admissão valeram-lhe a entrada na Universidade de Tübingen, em Setembro de 1588. No entanto, teve de regressar a Maulbronn iniciando o seu percurso universitário apenas a 17 de Setembro de 1589. No início, queria ser ministro luterano. Mas o interesse pela astronomia fê-lo mudar de rumo. Estudou filosofia, matemática e astronomia. A 10 de Agosto de 1591 foi aprovado como mestre de Artes.

Influenciado pelo professor de matemática e astronomia Michael Maestlin, tornou-se partidário da teoria heliocêntrica do movimento planetário desenvolvido por Copérnico. Ainda enquanto estudante, Kepler escreveu3:

“À parte do facto de se achar no centro do Universo, o Sol é o espírito que o anima. (…) Proponho-me a demosntrar que a máquina celeste se assemelha a um mecanismo de relojoaria no qual uma só peça se move todas as engrenagens e que a totalidade de complexo movimento celeste obedece a uma só força magnética”.

Kepler revelou então uma extraordinária habilidade matemática. A sua fama foi tal que foi convidado a ensinar a matemática no seminário protestante da universidade de Graz, na Áustria, onde chegou a 11 de Abril de 1594. 4 Aí cortejou a viúva Barbara Müller, com quem casou a 27 de Abril de 1597.

Kepler não foi feliz. Enfrentou grandes dificuldades finaceiras que procurou ultrapassar recorrendo frequentemente à astrologia, lendo sinas e horóscopos. Era o calendarista da cidade Graz: previa o clima, informava a população sobre qual a melhor época de plantar e colher, previa guerras, epidemias e eventos políticos. Os seus calendários proféticos tornaram a sua reputação quase lendária. Como astrólogo, Kepler creditava na harmonia do universo e na existência de uma relação entre os cosmos e o indivíduo. A 2 de Fevereiro de 1598 nasce o seu primeiro filho que acaba por morrer seis dias após o seu nascimento, vítima de meningite. Em Junho do ano seguinte, nasce uma menina que morre, também vítima de meningite, ao fim de trinta e cinco dias.

As dificuldades de Kepler estavam também relacionadas com a sua escolha religiosa. Durante o período de 1590 até ao final da Guerra dos Trinta Anos foram inúmeras as perseguições por toda a Alemanha. A posição de Kepler era cada vez mais insegura, uma vez que a Contra-Reforma aumentava a pressão sobre os protestantes. Em Setembro de 1598, Fernando II de Hasbsburgo, líder da Contra-Reforma Católica, fecha o colégio e a igreja protestante de Graz e ordena que todos os padres e professores deixem a cidade. Kepler e a sua família são convidados a sair da cidade o que acontece a 27 de Julho de 1600. No ano anterior, Kepler havia conhecido o matemático da corte do Rei Rudolph II da Boémia, em Praga, Tycho Brahe, que se notabilizara pelas suas observações astronómicas. Durante vários anos, utilizando apenas um enorme quadrante, Tycho realizou milhares de “medições” relativas à mudança de posição dos planetas em relação às estrelas. Quando Kepler foi expulso de Gratz, Tycho convidou-o a ir para Praga e conseguiu obter uma autorização do imperador para que Kepler passasse a trabalhar como seu assistente. Kepler e a sua família chegam a Praga a 19 de Outubro de 1600. Em 1601 Tycho Braye morre, deixando a Kepler o maior arquivo de observações da história da ciência e a missão de prosseguir o seu trabalho. Assim, a 24 de Outubro desse mesmo ano, Kepler sucede ao seu mestre como astrónomo e matemático ao serviço do imperador Rudolph II. Trabalhando com base nas observações de Tycho (Tabelas Rodolfinas) dedica-se àquela que viria a ser a sua obra “Astronomia Nova”. Durante a estadia em Praga a família cresce: a 9 de Junho de 1602 nasce Susanna, a 3 de Dezembro de 1604 Frederick e a 21 de Dezembro nasce Ludwig. Mas o casamento não era feliz. Barbara adoeceu gravemente e não suportou a morte do filho Frederick, com 6 anos, acabando por falecer a 3 de Julho de 1611.

No ano seguinte, Kepler deixa Praga e parte para Linz. Aí, volta a casar com uma viúva: Susanna Reuttinger, a 30 de Outubro de 1613. De novo, este casamento não foi afortunado. Citando Haward Eves 5 :

“o seu segundo casamento não foi mais feliz do que o primeiro, ainda que ele tenha analisado com precaução os méritos e deméritos de onze raparigas, antes de escolher a errada.”6

Desta mulher Kepler teve mais seis filhos, dos quais três morreram muito cedo. Durante este período, a vida de Kepler foi igualmente infortunada: a sua mãe foi acusada de feitiçaria, presa numa povoação de Wurtemberg, torturada e condenada a morrer na fogueira, embora Kepler a tenha conseguido libertar em Outubro de 1621. Enquanto lutava pela vida da mãe, Kepler conseguiu concluir a sua terceira grande obra: “Harmonices Mundi”. Em 1626, as autoridades eclesiásticas de Linz consideram-no suspeito de heresia, selaram a sua biblioteca e Kepler vê-se obrigado a deixar Linz, partindo para Ulm, nas margens do Danúbio. Aí completou os cálculos relativos à posição das 777 estrelas observadas por Tycho Brahe, às quais acrescentou 228 observadas por si, terminando assim finalmente as Tabelas Rodolfinas.

Entre 1576 e 1598, Tycho produziu as maiores tabelas que alguma vez haviam sido realizadas até à época. No entanto, não conseguiu verificar qualquer paralaxe estelar ou qualquer outro movimento anual que indicasse que a Terra se deslocasse ao redor do Sol.

No entanto, Tycho viu claramente as vantagens de ter um sistema centrado no Sol e por isso, em 1586, propôs o seu modelo Ticónico híbrido em que o Sol gira em torno da Terra ao longo de um ano mas leva orbitando à sua volta os restantes planetas (figura 3).

Este modelo preservava a elegância do modelo geocêntrico grego, retendo a física de Aristóteles, explicando porque é que os objectos caíam de volta para a Terra, ganhando as vantagens da simplicidade de explicação das retrogradações do modelo heliocêntrico.

Tycho também observou um cometa brilhante em 1577 e provou que, contrariamente ao defendido pelos geocentristas (que pretendiam tratar-se de um corpo terrestre), este se encontrava muito para além da Lua, o que constituiu um argumento contra o geocentrismo, pois desta forma ficou provado que o Universo celeste não era imutável.

Tycho terminou a sua carreira como matemático imperial ao serviço do imperador Rudolfo II.

Viria a falecer em 1601, não sem antes fornecer a Kepler todos os dados das suas observações, pedindo-lhe que publicasse o seu último trabalho, as “Tabelas Rudolfinas”, dedicadas ao imperador. Neste livro, foram compilados os dados observacionais de Tycho, embora a visão teórica patente no livro seja a de Kepler, que era um heliocentrista.

Num inverno rigoroso, em viajem para Rogensberg, na esperança que pagassem o que lhe deviam pelos seus préstimos, Kepler adoece e acaba por morrer a 15 de Novembro de 1630, aos 61 anos de idade. Antes da morte, aquele que havia encontrado a “verdadeira harmonia”, escreve: “Mensus eram coelos, nunc terror metior umbras. Mens coelestis erat, corporis umbra jacet” – “Eu medi os céus, agora medirei as sombras da Terra. Embora a minha alma rume ao céu, a sombra do meu corpo permanece aqui.”

Em 1616, a Inquisição (Tribunal do Santo Ofício) pronunciou-se sobre a Teoria Heliocêntrica declarando que a afirmação de que o Sol é o centro imóvel do Universo era herética e que a de que a terra se move estava “teologicamente” errada, contudo nada fora pronunciado a nível científico. O livro de Copérnico De revolutionibus orbium coelestium, entre outros sobre o mesmo tema, foi incluído no Index librorum prohibitorum (“Índice dos livros proibidos”). Foi proibido falar do heliocentrismo como realidade física, mas era permitido referir-se a este como hipótese matemática (de acordo com esta ideia o livro de Copérnico foi retirado do Index passados quatro anos, com poucas alterações). Apesar de que nenhum dos livros de Galileu foi nesta altura incluído no Index, ele foi no entanto convocado a Roma para expor os seus novos argumentos. Teve assim a oportunidade de defender as suas ideias perante o Tribunal do Santo Ofício dirigido por Roberto Bellarmino, que decidiu não haver provas suficientes para concluir que a Terra se movia e que por isso admoestou Galileu a abandonar a defesa da teoria heliocêntrica excepto como ferramenta matemática conveniente para descrever o movimento dos corpos celestes. Tendo Galileu persistido em ir mais longe nas suas ideias, foi então proibido de divulgá-las ou ensiná-las.

Apesar das admoestações, encorajado pela entrada em funções em 1623 do novo Papa Urbano VIII, seu amigo e um espírito mais progressivo e mais interessado nas ciências do que o seu predecessor (que afinal nada teve directamente a ver com a sentença do tribunal), publicou nesse mesmo ano Il Saggiatore (O Analisador), dedicado ao novo papa, para combater a física aristotélica e estabelecer a matemática como fundamento das ciências exactas. Nele coloca em causa muitas ideias de Aristóteles sobre movimento, entre elas a de que os corpos pesados caem mais rápido que os leves.

Galileu era cristão fervoroso, mas tinha um temperamento conflituoso e viveu numa época atribulada na qual a Igreja Católica endurecia a sua vigilância sobre a doutrina para fazer frente às derrotas que sofria pela Reforma Protestante. O Papa sentiu que a aceitação do modelo heliocêntrico como ferramenta matemática tinha sido ultrapassada e convocou Galileu a Roma para ser julgado, apesar de este se encontrar bastante doente. Após um julgamento longo e atribulado foi condenado a abjurar publicamente as suas ideias e à prisão por tempo indefinido. Os livros de Galileu foram incluídos no Index, censurados e proibidos, mas foram publicados nos Países Baixos, onde o protestantismo tinha já substituído o catolicismo, o que havia tornado a região livre da censura do Santo Ofício.

Posta esta pequena passagem pela renascença, época de redescobertas científicas, tecnológicos, in casu, astronomicas, o desenvolvimento social não acompanhou esta rápida escalada de novas ideias que revolucionavam o mundo. Não foi vitoriosa nem na altura, nem hoje a visão de que a verdade científica é mutável mas eventualmente correcta.

Foi a igreja, as religiões com a conivência dos governantes, lideres políticos e sociais que impediram que a humanidade por mais de dois mil anos não conseguisse evoluir. E nesse sentido damos um salto na nossa história para relatar os desenvolvimentos científicos e sociais que se passaram trezentos anos depois.

VI

Para Marx a crítica da religião é fundamental à crítica da exploração, pois crê que as concepções religiosas tendem a desresponsabilizar os homens pelas consequências de seus actos. Marx tornou-se reconhecido como crítico sagaz da religião devido a sentença que profere em um escrito intitulado Crítica da filosofia do direito de Hegel: “A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, assim como é o espírito de uma situação carente de espírito. É o ópio do povo.” Na verdade, Marx ocupou-se muito pouco em criticar sistematicamente a actividade religiosa. Nesse quesito basicamente seguiu as opiniões de Ludwig Feuerbach, para quem a religião não expressa a vontade de nenhum Deus ou outro ser metafísico: é criada pela fabulação dos homens.

Baseado em Demócrito e Epicuro sobre o materialismo e em Heráclito sobre a dialética (do grego, dois logos, duas opiniões divergentes), Marx defende o materialismo dialético, tentando superar o pensamento de Hegel e Feuerbach.

A dialética hegeliana era a dialética do idealismo (doutrina filosófica que nega a realidade individual das coisas distintas do “eu” e só lhes admite a idéia), e a dialética do materialismo é posição filosófica que considera a matéria como a única realidade e que nega a existência da alma, de outra vida e de Deus. Ambas sustentam que realidade e pensamento são a mesma coisa: as leis do pensamento são as leis da realidade. A realidade é contraditória, mas a contradição supera-se na síntese que é a “verdade” dos momentos superados. Hegel considerava ontologicamente (do grego onto + logos; parte da metafísica, que estuda o ser em geral e suas propriedades transcendentais ) a contradição (antítese) e a superação (síntese); Marx considerava historicamente como contradição de classes vinculada a certo tipo de organização social. Hegel apresentava uma filosofia que procurava demonstrar a perfeição do que existia (divinização da estrutura vigente); Marx apresentava uma filosofia revolucionária que procurava demonstrar as contradições internas da sociedade de classes e as exigências de superação.

Ludwig Feuerbach procurou introduzir a dialéctica materialista, combatendo a doutrina hegeliana, que, a par de seu método revolucionário concluía por uma doutrina eminentemente conservadora. Da crítica à dialéctica idealista, partiu Feuerbach à crítica da Religião e da essência do cristianismo.

Feuerbach pretendia trazer a religião do céu para a Terra. Ao invés de haver Deus criado o homem à sua imagem e semelhança, foi o homem quem criou Deus à sua imagem. O seu objectivo era conservar intactos os valores morais numa religião da humanidade, na qual o homem seria Deus para o homem.

Adoptando a dialéctica hegeliana, Marx, rejeita, como Feuerbach, o idealismo, mas, ao contrário, não procura preservar os valores do cristianismo. Se Hegel tinha identificado, no dizer de Radbruch, o ser e o dever-ser (o Sen e o Solene) encarando a realidade como um desenvolvimento da razão e vendo no dever-ser o aspecto determinante e no ser o aspecto determinado dessa unidade. A dialéctica marxista postula que as leis do pensamento correspondem às leis da realidade. A dialéctica não é só pensamento: é pensamento e realidade a um só tempo. Mas, a matéria e seu conteúdo histórico ditam a dialéctica do marxismo: a realidade é contraditória com o pensamento dialéctico. A contradição dialéctica não é apenas contradição externa, mas unidade das contradições, identidade: “a dialéctica é ciência que mostra como as contradições podem ser concretamente (isto é, vir-a-ser) idênticas, como passam uma na outra, mostrando também porque a razão não deve tomar essas contradições como coisas mortas, petrificadas, mas como coisas vivas, móveis, lutando uma contra a outra em e através da sua luta.”

Marx acusou Feuerbach, afirmando que seu humanismo e sua dialéctica eram estáticas: o homem de Feuerbach não tem dimensões, está fora da sociedade e da história, é pura abstracção. É indispensável segundo Marx, compreender a realidade histórica na suas contradições, para tentar superá-las dialeticamente. A dialéctica apregoa os seguintes princípios: tudo relaciona-se (Lei da ação recíproca e da conexão universal); tudo se transforma (lei da transformação universal e do desenvolvimento incessante); as mudanças qualitativas são consequências de revoluções quantitativas; a contradição é interna, mas os contrários se unem num momento posterior: a luta dos contrários é o motor do pensamento e da realidade; a materialidade do mundo; a anterioridade da matéria em relação à consciência; a vida espiritual da sociedade como reflexo da vida material.

O materialismo dialéctico é uma constante no pensamento do marxismo-leninismo (surgido como superação do capitalismo, socialismo, ultrapassando os ensinamentos pioneiros de Feuerbach).

“O que Marx mais critica é a questão de como compreender o que é o homem. Não é o ter consciência (ser racional), nem tampouco ser um animal político, que confere ao homem sua singularidade, mas ser capaz de produzir as suas condições de existência, tanto material quanto ideal, que diferencia o homem.”

Numa leitura existencialista do marxismo, segundo Jean-Paul Sartre, a essência do homem é não ter essência, a essência do homem é algo que ele próprio constrói, ou seja, a História. “A existência precede a essência”; nenhum ser humano nasce pronto, mas o homem é, em sua essência, produto do meio em que vive, que é construído a partir de suas relações sociais em que cada pessoa se encontra. Assim como o homem produz o seu próprio ambiente, por outro lado, esta produção da condição de existência não é livremente escolhida, mas sim, previamente determinada. O homem pode fazer a sua História mas não pode fazer nas condições por ele escolhidas. O homem é historicamente determinado pelas condições, logo é responsável por todos os seus actos, pois ele é livre para escolher. Logo todas as teorias de Marx estão fundamentadas naquilo que é o homem, ou seja, o que é a sua existência. O Homem é condenado a ser livre.

As relações sociais do homem são tidas pelas relações que o homem mantém com a natureza, onde desenvolve suas práticas, ou seja, o homem constitui-se a partir de seu próprio trabalho, e sua sociedade constitui-se a partir de suas condições materiais de produção, que dependem de factores naturais (clima, biologia, geografia…) ou seja, relação homem-Natureza, assim como da divisão social do trabalho, sua cultura. Logo, também há a relação homem-Natureza-Cultura.

Então se o ser humano é um misto de cultura e natureza, tema que acima foi expplorado concluímos que o ambiente é parte dominante na existência de qualquer ser vivo. E é por isso que é muito importante sabermos como educamos as pessoas com que contactamos mais do que os nossos próprios filhos.

Se aprendemos com tantos homens maravilhosos o que é que nos impede de ser apenas um como Carl Sagan referia: "somos todos primos"

Sagan disse: Um extra-terrestre que acabe de chegar à terra, e que faça um escrutínio daquilo que apresentamos às nossas crianças na televisão, rádio, filmes, jornais, revistas, bandas desenhadas e muitos livros - facilmente concluiria que fazemos questão de lhes ensinarmos assassinios, violações, superstições, credulidade e consumismo

Nós vivemos numa época maravilhosa, em que a compreensão das questões essenciais que afligem o ser humano desde as suas origens começa a ser vislumbrada através do tênue feixe de luz que a pequena lanterna-ciência lança sobre as trevas de nossa ignorância.

Poucas pessoas conseguem ver essas maravilhas, contemplar este momento único, Regozijar-se de pertencer a este tempo, a esta época.

Menos pessoas ainda compreendem que a nossa maior conquista é a própria lanterna!

Ninguém se esforçou mais do que Carl Sagan para mostrar a todos, cientistas e leigos, a importância de tornar acessível a todos a posse dessa lanterna.

Ninguém, mais do que Sagan, teve a coragem e a iniciativa de por a prova o pensamento científico, sem preconceitos, sem soberba, sem arrogância.

"Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre." — Albert Einstein

Empunhando magistralmente as palavras e com um domínio invejável de vastas áreas do saber científico, Sagan duelava impiedosamente com magos, ufólogos, curandeiros, falsos-profetas de nosso tempo, e nunca perdia.Esgrimia aguerrido com a lanterna-ciência, como um Luke Sky Walker a serviço do bom-senso, contra os Darth Vader da fantasia travestida de realidade.Podemos lembrar dele como um astrônomo de renome internacional; por sua participação em alguns projetos da NASA; por sua constante aparição nos meios de comunicação de massa; por seus inúmeros e deliciosos livros. Mas certamente, para os que conhecem, ainda que superficialmente, sua obra e suas idéias, Carl Sagan será lembrado como um ser humano muito especial, com uma visão de mundo extremamente científica e, ao mesmo tempo, sentimentalmente poética: a ciência era sua musa; falar da ciência era sua poesia.

E ao conseguir mostrar quão bela e, como diria o Sr. Spock, quão fascinante é a visão do Universo proporcionada pelo pequeno feixe de nossa lanterna-ciência, Sagan inexoravelmente incutia em seus interlocutores o desejo, a ânsia pela posse dessa lanterna mágica.

Carl Sagan era um sonhador. Perseguiu seus sonhos por toda a sua vida. Muitos, ele os viu realizados. Outros, deixou-os para realizar às gerações futuras. Carl Sagan foi um astrônomo de primeira linha. Mas foi divulgando a Ciência que ele se destacou como o melhor entre os melhores.

Com sua formação multidisciplinar, Sagan foi o autor de obras como Cosmos[3] (que foi transformada em uma premiada série de televisão), Os Dragões do Éden (pelo qual recebeu o prêmio Pulitzer de Literatura), O Romance da Ciência, Pálido Ponto Azul e O Mundo Assombrado Pelos Demônios: A Ciência Vista Como Uma Vela No Escuro.

Foi professor de astronomia e ciências espaciais na Cornell University e professor visitante no Laboratório de Propulsão a Jato do Instituto de Tecnologia da Califórnia. Criou a Sociedade Planetária e promoveu o SETI.

Isaac Asimov descreveu Sagan como uma das duas pessoas que ele encontrou cujo intelecto ultrapassava o dele próprio. O outro, disse ele, foi o cientista de computadores e perito em inteligência artificial Marvin Minsky.

Bibliografia

Carl Sagan:

Renato da Silva Oliveira Carl Sagan - in memorium - 1996


Notas

http://afilosofia.no.sapo.pt/11Anarquismo.htm

http://www.culturabrasil.pro.br/marx.htm

Categoria:Artigo


A revolução está dentro de cada um de nós... Uma revolução na consciência. É isso que significa juntarmo-nos milhões em prol da demissão da classe política. Mas para tal temos de estar organizados afim de pacificamente produzirmos uma transição em Portugal e para a humanidade que possa vencer a cultura actual: oligárquica, despótica e absolutista e auto-preservante

Vamos com calma e pacifismo... O sistema está obsoleto! Só precisamos de nos organizar para criar um novo sistema que defenda a natureza, o ser humanos e que funcione como um organismo biológico no qual todos e cada um tem lugar e uma função

Todas as coisas maravilhosas demoram tempo a ser construídas. E este novo mundo não será excepção. Mas para se tornar realidade tem de partir de cada um de nós. A missão é garantir que o planeta não se torne numa grande prisão para humanidade como tem sido e é por isso que necessitamos de uma revolução. Os modelos sociais actuais, guiados por políticos apenas têm como missão manter-vos no medo, medo do medo, e medo da culpa. E foi esse medo que nos pôs doentes. Nós queremos a vida e não temos medo. Já começámos a construir o novo mundo!


Esta sociedade está clínico-patológicamente doente.


http://afilosofia.no.sapo.pt/11Anarquismo.htm


Bibliografia: Ghandi, Mahanda

Albert Einstein “Porquê o socialismo?” publicado em Maio de 1949 Monthly Review (tradução portuguesa de Anabela Magalhães)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Antiprotestantismo

http://www.ipv.pt/millenium/esf_5mjf.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Nicolau_Cop%C3%A9rnico

Issac Newton Antoine Lavoisier Adolf Hitler MartinLuther King Junior Platão Sócrates Alex Jones Jacque Fresco Peter Jospeh


Financiamento das guerras Dessa segunda guerra mundial


Einstein

Lei da Atracção

cérebro 200 bits tubaroes hipnose


Platão política


“Vamos ver o quão importante é trazer para a mente humana a revolução radical. A crise é uma crise de consciência. Uma crise que não pode mais aceitar as antigas normas, os velhos padrões, as tradições antigas. E, considerando o que o mundo é hoje, com toda a miséria, conflito, brutalidade destrutiva, agressão, e assim por diante; O Homem ainda é o mesmo de antes. Ainda é bruto, violento, agressivo, acumulador, competitivo. E construiu uma sociedade nestes termos. Não é medida de saúde estar bem adaptado a uma sociedade profundamente doente.” - Jiddu Krishnamurti - “Não é medida de saúde estar bem adaptado a uma sociedade profundamente doente.“

“O problema por conseguinte, é este: para que o homem possa transformar-se radicalmente, fundamentalmente, torna-se necessária uma mutação nas próprias células cerebrais de sua mente. Dizem-nos que devemos mudar, que devemos agir, que devemos transformar nossa mente, nosso coração, tornar-nos uma coisa totalmente diferente. Isso vem sendo pregado há milhares de anos por homens muito sérios, muito ardorosos, e também por charlatães interessados em explorar o povo. Mas, agora, chegamos ao ponto em que não há mais tempo a perder. Compreendei isto por favor. Não dispomos de tempo para efectuar gradualmente tal transformação. Os intelectuais de todo o mundo estão reconhecendo que o homem se acha à beira de um abismo, na iminência de destruir a si próprio. Nem religiões, nem deuses, nem salvadores, nem mestres, nem as lenga-lengas dos gurus, poderão impedi-los. Dizem os intelectuais ser necessário inventar uma nova droga, uma 'pílula dourada' capaz de produzir uma completa transformação química; e os cientistas provavelmente descobrirão esta droga. Não sei se estais bem a par dessas coisas. Ora conquanto o organismo físico seja um produto bioquímico, pode uma droga, uma superdroga fazer-vos amar, tornar-vos bondosos, generosos, delicados, não violentos? Não o creio; nenhum preparado químico pode fazer os homens amarem-se uns aos outros. O amor não é um produto do pensamento; também não é cultivável, como a flor que cultivamos em nosso jardim. O amor não pode ser comprado numa drogaria, e o amor é a única coisa que poderá salvar o homem - e não os artifícios das religiões, nem seus ritos, nem todos os exércitos do mundo. Podemos fugir, assistindo a concertos, visitando museus, entregando-nos a divertimentos de toda ordem - debalde! - porque o homem se acha hoje em dia em presença de um tremendo problema: se tem a possibilidade de transformar-se radicalmente, de efectuar uma total mutação da sua consciência, não amanhã, nem daqui a alguns anos, mas agora! Eis o problema principal: se o homem, em qualquer país que viva, com todas as suas belezas naturais, é capaz de operar uma mutação radical em seu interior, imediatamente. E não podeis resolvê-lo com vossas crenças, vossas ideologias, vossos deuses, salvadores, sacerdotes e rituais. Essas coisas já não tem o menor significado.”


“A sociedade moderna é formada por várias instituições. Instituições políticas, instituições legais, instituições religiosas, a instituições de classe social, valores familiares, e especialização profissional. É óbvia a profunda influência que estas estruturas tradicionais possuem sobre a formação das nossas compreensões e perspectivas. Porém, de todas as instituições sociais nas quais nascemos, que nos guiam e condicionam parece não existir nenhum sistema tão subestimado e mal compreendido como o sistema monetário. Tomando proporções quase religiosas, a instituição monetária estabelecida existe como uma das formas mais incontestadas de fé. Como o dinheiro é criado, as políticas que o governam, e como ele realmente afecta a sociedade, são interesses desconhecidos da grande maioria da população.” - Zeitgeist Addendum - “Num mundo onde 1% da população possui 40% da riqueza do planeta. Num mundo onde diariamente morrem 34 mil crianças devido a pobreza e doenças evitáveis, onde 50% da população vive com menos de 2 dólares por dia... uma coisa é certa: "Algo está muito errado".

A característica mais fundamental das nossas instituições sociais é a necessidade de auto-preservação. Isso vale para as corporações, as religiões, ou um governo, o interesse principal é a preservação da própria instituição. Por exemplo, a última coisa que uma petrolífera quer é o uso de energia não controlada por ela, já que isso a torna menos importante para a sociedade. Igualmente, a Guerra Fria e a queda da URSS foram na verdade uma forma de preservar a hegemonia global e económica dos EUA. Do mesmo modo, religiões condicionam as pessoas a sentirem-se culpadas por inclinações naturais, e cada uma afirma oferecer o único caminho para o perdão e a salvação. No coração desta auto-preservação institucional, está o sistema monetário pois é o dinheiro que possibilita os meios de poder e sobrevivência. Do mesmo modo que uma pessoa pobre se vê forçada a roubar para sobreviver, é uma tendência natural fazer o que for preciso para manter a rentabilidade de uma instituição. Assim, fica naturalmente difícil que instituições baseadas em lucro mudem pois isso ameaça não só a sobrevivência de grupos de pessoas, mas também o estilo de vida materialista associado aos poderosos. A necessidade paralisante de preservar as instituições independentemente da sua relevância social está fortemente baseada na necessidade de dinheiro, ou lucro. Numa palavra: Corrupção!

Os políticos não podem resolver problemas. Eles não têm capacidade técnica para isso, eles não sabem fazê-lo. Mesmo se eles fossem sinceros, não saberiam resolver os problemas. São técnicos que fazem os projectos de dessalinização, são técnicos lhe dão a electricidade que lhe dão os automóveis, que aquecem e refrescam a sua casa. É a tecnologia que resolve os problemas, não a política. A política não pode resolver problemas, pois eles não possuem competências para isso.

Poucas pessoas hoje param para pensar sobre o que realmente melhora as suas vidas. É o dinheiro? Certamente que não. Não podemos comer dinheiro, nem abastecer dinheiro no seu carro para fazê-lo trabalhar. É a política? Tudo que os políticos podem fazer é criar leis definir orçamentos e declarar guerras. É a religião? Claro que não. A religião não cria nada além de apoio emocional intangível para quem o busca. o verdadeiro dom que temos como seres humanos que foi unicamente responsável por tudo o que melhorou as nossas vidas, é a tecnologia. O que é tecnologia? Tecnologia é o lápis que permite que alguém coloque as suas ideias no papel para comunicar. Tecnologia é o carro que nos permite viajar mais rápido do que os nossos pés. Tecnologia são os óculos, que fornecem a visão a quem precisa. Em si, a tecnologia aplicada é simplesmente uma extensão das nossas capacidades, que reduz o esforço humano para lidar com uma tarefa ou um problema específico. Imagine como seria a sua vida hoje sem um telefone, sem um fogão, ou um computador, ou um avião? Qualquer coisa na sua casa que mal repara, da campainha a uma mesa, a um lava-louças, tudo é tecnologia, gerada pela engenhosidade científica de técnicos humanos. Não é dinheiro, política ou religião pois estas são instituições falsas.

A pergunta que interessa aos políticos é: Quanto vai custar um projecto? A questão não é quanto ele vai custar, mas sim se temos os recursos. E hoje nós temos os recursos para dar casa a todos, para construir hospitais no mundo inteiro construir escolas pelo mundo fora financiar laboratórios, equipamentos para o ensino, e pesquisa em medicina. Veja, nós temos tudo isto, mas estamos num sistema monetário, e nesse sistema, o que interessa é o lucro. E qual é o mecanismo principal que orienta o sistema baseado em lucro, além de interesse próprio? O que exactamente mantém essa competição como sua essência? Eficiência e sustentabilidade? Não. Isso não é parte do seu projecto. Nada produzido na nossa sociedade virada para o lucro é de alguma forma sustentável ou eficiente.

O facto é que eficiência, sustentabilidade e abundância são inimigas do lucro. Resumindo, é o mecanismo de escassez que aumenta os lucros. A escassez mantém os produtos valiosos reduzir a produção de petróleo eleva o seu preço. A escassez de diamantes mantém o preço deles elevado.



trabalho do latin instrumento de tortura epigenética

Psicanálise, Talentos ocultos vs defeitos, pontos degativos, Brincar,


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Imediatismo, uma cultura mais responsável será de construção do futuro Mundo para os vindouros melhores, Projectar o futuro, Cooperação / Competitividade, Decadência ou crise, mais leis, constrangimentos,


Ganância, as emoções, raiva, -> condicionantes sociais. Desemprego tecnológico, Não esclarece o como? a forma de chegar lá, as alterações exteriores e as interiores. Quem é que está disponível, para viver de um modo diferente? Ser solidário, ser...


Existem movimento?? O poeta, à solta. - ócio; quando era criança; A mente, criámos uma ciência, Pensamento crítico,

Egoista: O petróleo, a alimentação, vamos ter de reduzir a população, Malthus, Ad

Perversão - Perversidade, perplexidade,

A economia a troca de valores, as relações. Os economias; Revolução interior; Educação -> programada e emergente.


Carl Sagan - - Proteger os desfavorcidos, - Direitos humanos, - Protecção dos animais,


Professor Coimbra de Matos Paulo Dores

Medo do medo; Medo,

Conceito de Edipo, a sociedade está doente.

O homem não tem culpa???

Isto está na merda.