Economia Baseada nos Recursos

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Para explicar o que significa uma economia baseada em recursos (EBR) temos de considerar um cenário hipotético apelidado de “pós-escassez”. Pós-Escassez é um sistema social baseado primeiramente na premissa de que os bens, serviços e recursos de primeira necessidade estão disponíveis e acessíveis em número suficiente de forma a serem distribuídos uniformemente por todos os cidadãos do planeta.

Num ambiente destes, os recursos que a humanidade necessita serão geridos de uma forma inteligente considerando as suas características naturais, entre elas a sua disponibilidade, quantidade, impacto ambiental e distribuição.

Embora o sistema em causa represente uma forma de organização económica, não é um modelo económico. É um modelo social, um contrato social. Um modelo de sociedade inspirado na gestão eficiente, técnica e objectiva do planeta como um todo.

Daí que podemos definir a economia baseada nos recursos como um sistema económico e social onde todos os bens e serviços estão disponíveis sem necessidade de recorrer ao uso de dinheiro, crédito, caridade ou qualquer outro sistema de débito ou servidão. Todos os recursos tornam-se uma herança comum de todos os habitantes e não de apenas uns poucos seleccionados. A premissa base deste sistema é de que a Terra é abundante em recursos, no entanto a nossa prática de racionamento de recursos através de métodos monetários é irrelevante e contra-produtiva à nossa sobrevivência.

A sociedade moderna tem acesso a tecnologias de ponta e pode disponibilizar comida, roupa, alojamento e assistência médica, pode actualizar o nosso sistema de educação, e desenvolver um fornecimento ilimitado de energia renovável e não-poluente. Desta forma poderemos fornecer um modelo de uma economia eficiente onde todos podem desfrutar de um elevadíssimo padrão de vida com todas as vantagens de uma sociedade altamente tecnológica.

Uma economia baseada nos recursos usará os recursos existentes da terra e do mar, o equipamento físico, indústrias e tecnologia, para melhorar a vida de toda a população. Numa economia baseada nos recursos em vez do dinheiro, poderemos facilmente produzir todas as necessidades biológicas e fornecer a todos os seres vivos uma existência, justa, igualitária e sustentável.

Consideremos os seguintes exemplos:

No início da Segunda Guerra Mundial os EUA tinha apenas cerca de 600 aviões de combate de primeira classe. Rapidamente superámos esse suprimento limitado ao produzir mais de 90 mil aeronaves por ano. A questão no início da Segunda Guerra Mundial era: “temos os fundos suficientes para produzir os utensílios de guerra necessários?”. A resposta era: “não. Não possuímos dinheiro, nem ouro o suficiente; mas tínhamos recursos mais do que suficientes. Foram os recursos disponíveis que possibilitaram aos EUA alcançar a alta produção e eficiência necessários para vencer a guerra. Infelizmente, isto parece somente acontecer em tempos de guerra.

Existem mais de mil milhões de criança pelo planeta fora. Todas elas necessitam de um carrinho de transporte, mas nem metade delas tiveram acesso a esse bem. Todos sabemos a razão… essa (pobres) criança pobres pelo mundo fora, (pobres por serem) só o são por serem pobres financeiramente.

A questão que temos de colocar não é se existe dinheiro para fornecer 500 milhões de carrinhos de bébés pelo mundo fora mas se conseguimos os recursos naturais, materiais e humanos para tal. Plásticos, alumínio, tecidos, automação, etc.. Assim concluímos que 100 fábricas automatizadas a produzir 1000 unidades por dia rapidamente produziriam suficientes para todas as crianças em falta. O problema actual está na distribuição e no uso incorrecto dos recursos. Não é o dinheiro que trás felicidade….

Por fim, neste exemplo temos de considerar que os recursos terão de ser bem geridos, recicláveis e não-poluentes. E por falar de gestão, nesse caso, porque não um sistema automatizado universal de uso gratuito de carrinhos de bébés e posterior devolução?

Até já existem ideias em curso nesse sentido. Em certas cidades na Holanda, pode-se andar livremente de bicicleta, bastando para tal pegar numa e deixá-la num local publico novamente.

Pois é, quando temos abundância até se perde a noção de propriedade.

Numa economia baseada nos recursos, todos os recursos são tidos como património ou herança comum a todas as pessoas do planeta Terra, de forma a eventualmente transcender a necessidade de fronteiras artificiais que separam cidadãos. Esse é o imperativo unificador.

Devemos enfatizar que esta abordagem para um governo global não tem absolutamente nada em comum com os presentes objectivos da elite de formar um governo mundial dirigido por ela e pelas grandes empresas e instituições e com a maioria da população do mundo como seus servos. A nossa visão de globalização encoraja toda e qualquer pessoa a o melhor que puderem e não a viver sobre submissão de um corpo governamental corporativo.

As nossas propostas não só contribuem para o bem-estar das pessoas, como também forneceriam a informação necessária para que elas participem em qualquer área da sua competência. O sucesso seria medido pela satisfação das actividades individuais em vez da aquisição de riqueza, propriedade e poder.

Actualmente, temos recursos materiais suficientes para fornecer um altíssimo padrão de vida para todos os habitantes da Terra. Apenas quando a população excede a capacidade de sustentação da Terra é que muitos problemas como a ganância, o crime e a violência emergem. Ao superarmos a escassez, a maioria dos crimes e até as prisões da sociedade de hoje deixariam de ser necessários.

Uma economia baseada em recursos possibilitará o uso da tecnologia para superar a escassez de recursos ao utilizar fontes de energia renováveis, informatizar e automatizar a manufactura e o inventário; projectar cidades seguras e energéticamente eficientes e sistemas avançados de transporte. Fornecer um serviço de saúde universal e uma educação mais relevante e, sobretudo, ao gerar um novo sistema de incentivo baseado na preocupação com o Homem e o Ambiente.

Muitas pessoas acreditam que hoje exista demasiada tecnologia no mundo, e que essa tecnologia é a principal causa da nossa poluição ambiental. Não é essa a causa. É o abuso e o uso incorrecto da tecnologia que deve ser a nossa principal preocupação. Numa sociedade mais humana, em vez das máquinas substituírem as pessoas elas reduziriam o horário de trabalho, aumentariam a disponibilidade de bens e serviços, e prolongariam o período de férias. Se usarmos novas tecnologias para elevar o padrão de vida de todas as pessoas, então a infusão da tecnologia mecânica deixaria de constituir uma ameaça.

Uma economia mundial baseada nos recursos também envolveria esforços completos para o desenvolvimento de novas fontes de energia, limpas e renováveis: geotérmica, de fusão controlada, solar, fotoeléctrica, eólica, das ondas e das marés, e até combustível dos oceanos. Eventualmente seríamos capazes de possuir energia em quantidade ilimitada que poderia impulsionar a civilização por milénios. Uma economia baseada nos recursos também deve abranger o replaneamento das nossas cidades, sistemas de transporte e indústrias, permitindo que eles sejam energéticamente eficientes, limpos, e que sirvam de forma conveniente às necessidades de todas as pessoas.

Que mais implicaria uma economia baseada nos recursos? A tecnologia, inteligente e eficientemente aplicada, economiza energia, reduz o desperdício e proporciona mais tempo livre. Com um inventário automatizado a escala global, podemos manter um equilíbrio entre a produção e a distribuição. Somente alimentos nutritivos e saudáveis estariam disponíveis e a obsolescência planeada (programada) seria desnecessária e inexistente numa economia baseada nos recursos.

Ao livrar-mo-nos da necessidade de profissões baseadas no sistema monetário, como por exemplo advogados, banqueiros, vendedores de seguros, equipas de marketing e publicidade, vendedores e corretores de valores, uma quantidade considerável de desperdício será eliminada.

Enormes quantidades de energia seriam também poupadas ao eliminar a duplicação de produtos competitivos como ferramentas, talheres, panelas, frigideiras e aspiradores de pó. É bom poder escolher. Mas em vez de centenas de várias fábricas e toda a papelada e pessoal necessários à produção de produtos similares, apenas uma pequena parcela da mais alta qualidade seria suficiente para servir a população inteira. A nossa única deficiência é a nossa falta de pensamento criativo, (e) inteligência e da capacidade dos nossos líderes eleitos em resolverem esses problemas. Actualmente o recurso mais valioso e inexplorado é a engenhosidade humana.<ref>Jacque Fresco, Desenhando o Futuro</ref>

Com a eliminação da dívida, o medo de se perder o emprego deixará de ser uma ameaça. Esta segurança, combinada com educação sobre como se relacionar com os outros da forma mais significativa, poderiam reduzir consideravelmente tanto o stress mental como o físico e deixar-nos livres para explorar e desenvolver as nossas habilidades.

Se a ideia de se eliminar o dinheiro ainda o incomoda, considere isto: se um grupo de pessoas com ouro, diamantes e dinheiro ficassem presos numa ilha desprovida de recursos como comida, ar e água limpos, a riqueza deles seria irrelevante à sua sobrevivência. Somente quando os recursos são escassos é que o dinheiro pode ser usado para controlar a sua distribuição. Não se pode, por exemplo, vender o ar que respiramos ou a água que flui abundante da nascente de uma montanha. Apesar do ar e da água serem valiosos, enquanto forem abundantes não podem ser vendidos.

O dinheiro só é importante numa sociedade quando certos recursos para a sobrevivência devem ser racionados e nesse caso as pessoas aceitam o dinheiro como meio de troca para recursos escassos. O dinheiro é uma convenção social, um acordo por assim dizer. Ele não é um recurso natural nem representa um. Ele não é necessário à sobrevivência, a menos que tenhamos sido condicionados a aceitá-lo como tal.

Portanto, a Economia Baseada em Recursos é um sistema económico no qual a economia não é baseada no livre mercado e na livre iniciativa segundo os princípios liberais advindos do sistema Capitalista e firmado através da Revolução Industrial. Segundo a Teoria Marxista, a partir da produção maciça por meio da indústria, países desenvolvidos teriam a capacidade de possuir recursos suficientes para serem distribuídos proporcionalmente para com a sociedade segundo o novo modelo económico proposto pelo Socialismo. Como um fim de organização social, a produção advinda da organização popular aliada à auto-gestão dos recursos que seria capaz de gerar como consequência uma auto-composição social onde o Estado não teria mais valor no contexto político, sendo possível uma Anarquia social que culminaria no Comunismo. <ref>Rafael Vilaça</ref>

Tal teoria, muitas vezes encarada como utopia de facto é uma ideia bastante complexa diante dos factores exigidos para o cumprimento de tal sistema ideológico-político. A prova é tanta que até hoje, todas as tentativas de organizar um Estado Socialista fracassaram diante das condições exigidas, pois Marx imaginava países como Inglaterra e a Alemanha enquanto potências com recursos garantidos passando a distribuir seus bens no novo sistema social, e não países subdesenvolvidos como a Rússia que passou de uma economia praticamente feudal para um sistema onde não tinha recursos para serem divididos na URSS, o que justifica as várias crises durante o novo governo, assim como Cuba que também não possuía recursos, de modo que toda a estrutura social está desfasada diante da actual realidade mundial.

Eis a justificação para o porquê de nunca ter havido um governo de facto socialista: sem as condições para efectuar a correta distribuição dos bens, não era possível tal administração prevista, de modo que para gerir os poucos recursos existentes, o governo precisou de se fechar frente à instabilidade económica e política dos sistemas recém implantados, por isso, os governos ditos como socialistas tornaram-se ditaduras, e no caso da China, um sistema que de nada tem de Socialista, uma vez que o contexto económico em que se encontra não é possível manter um crescimento económico segundo os princípios marxistas dentro de uma economia de mercado.

Considerando tal ideia de que nenhum novo sistema pode actuar de facto enquanto houver um outro sistema dominante, é impossível acreditar que um sistema Socialista possa existir plenamente enquanto houver um sistema de mercado vigente em todo o mundo. Por outras palavras, é impossível que um governo isolado consiga implantar uma Revolução que efectue uma mudança concreta na política económica do Estado, de modo a passar a vivenciar a prática da teoria marxista da sociedade socialista. Por isso nunca Cuba, a antigas URSS, ou a China poderão se tornar de fato Socialistas enquanto o mercado económico actual existir. É tanto que para Marx, a Revolução só poderia ser implantada mediante uma crise económica forte que quebrasse o sistema, como a de 29. Pensando agora sob o viés da Economia Baseada em Recursos, a mesma defende as ideias marxistas de um sistema que evolui segundo o contexto histórico, chama-se dialéctica ascendente. A falha que tanto é apontada para a à Teoria Marxista diz justamente a essa evolução histórica em que a teoria não acompanhou. Não existe proletariado no sentido do século XIX e século XX. Hoje passamos por uma revolução tecnológica global em que as relações económicas e sociais mudaram de forma drástica. O contexto agora é outro, cada vez mais a política se torna desfasada perante discursos vazios com um mero sentido diplomático. É preciso evoluir a política de modo que o acto político se separe do valor da imagem política tradicional.

Segundo a teoria da Economia Baseada nos Recursos, a mesma encontra-se além da política, da miséria e da guerra. Tal tripé factual é a tese principal que aponta a causa de todos os problemas actuais a serem superados. Criado a partir do Movimento Zeitgeist, baseado nas ideias do engenheiro e filósofo Jacques Fresco, o sistema de uma sociedade organizada segundo a Economia Baseada em Recursos, principia que no século XXI. (não compreendo a frase). <ref>Peter Joseph - Zeitgeist Moving Forward</ref>

O mundo chegou a uma evolução tecnológica onde é possível que por meio da tecnologia existente, todos os recursos necessários à (uma) sociedade sejam produzidos e administrados pela mesma. Como foi mostrado no documentário Zeitgeist: Addendum, a miséria actual é inconcebível diante de tal capacidade de produção e gestão dos recursos por meio da actual tecnologia. O que acontece é que justamente tal independência social não interessa às elites mundiais que lucram milhares de milhões com o actual sistema de mercado capitalista, que por meio da política, que se entenda enquanto a política administrativa, o Direito, e as suas decisões no campo económico, geram tal miséria, por meio da exploração dos recursos, afectando também drasticamente o meio ambiente. Para tal fim, muitas vezes se utiliza a Guerra, enquanto um meio não só de explorar os recursos dominando o território político, quanto também como um meio de fazer o mercado produzir gerando cada vez mais lucros a essas elites que administram todo o sistema de produção mundial.

Considerando que chegamos a um limite onde o homem possui tal consciência desses factos sobre essa evolução, assim como tais práticas estão cada vez mais destruindo directamente os próprios recursos a serem administrados, bem como o próprio sistema de mercado está cada vez mais deteriorado diante de tamanho progresso social, é chegada a hora de haver um rompimento com tal sistema antes que o mesmo se desintegre. Tal temor de desintegração social está justamente na guerra, onde a tecnologia é capaz de destruir o mundo e o homem, assim como a mesma pode ser o factor evolutivo para tal mudança social.

É interessante notarmos que a ideia de que a responsabilidade do homem perante os seus actos é o factor principal de evolução ou deterioração da humanidade. Por outras palavras, dependendo de como agir, o homem pode salvar ou destruir o mundo, logo cabe ao mesmo escolher entre essa evolução a que o mesmo está condenado ou à destruição da sociedade segundo a mesma arma utilizada para fazê-la progredir, a tecnologia.

Considerando também que são justamente as divisões geopolíticas do mundo que geram conflitos entre as diversas culturas, por um motivo económico, disfarçado de um problema social, é preciso romper com a ideia de dividir o mundo em países. Com tal ideia de emancipação geopolítica, a Teoria do Movimento Zeitgeist, defende que após uma crise tão grande que seja capaz de romper todo o sistema actual de organização social do mundo, implante-se um novo sistema sem fronteiras políticas. Como solução, tal teoria propõe a extinção dos países enquanto limites geográficos e políticos, para que com isso se acabe com os conflitos originados pelo interesse económico através da ideia de independência e soberania frente aos demais países dentro do contexto a economia de mercado mundial. Considerando que com tal quebra no sistema económico aliado à evolução tecnológica de uma auto-suficiência em produção e distribuição dos bens, a economia por sua vez seria baseada em recursos, onde não mais existe a ideia de valor económico uma vez que os bens seriam produzidos para o consumo necessário à sociedade, com isso não existindo também o mercado onde os bens são trocados pelos valores estabelecidos na sociedade. Com isso, se acaba com o mercado económico, a ideia de moeda enquanto um ente de troca da produção, e por fim, com todo o comercio e produção voltada para as demandas da lógica de economia de mercado, voltando-se agora para uma produção segundo as necessidades da sociedade.

Assim acabaremos com a fome, a miséria, usando a tecnologia para produzir tudo o que o homem necessita. Devemos entender que a tecnologia surgiu para facilitar a vida do homem, e considerando tal evolução, podemos concluir que quase todos os trabalhos do homem seriam extintos pelo uso da tecnologia e programas de inteligência artificial que administrariam todo o sistema de produção e gestão dos recursos, de modo que dentro desse sistema o homem não precisaria trabalhar. A ideia de que “o trabalho dignifica o homem”, ou que precisamos trabalhar para a nossa sobrevivência, ou que o trabalho é típico da natureza do homem, são ideias que advém do sistema de mercado desde os primórdios do sistema capitalista, assim como são valores definidos pelo próprio homem, onde os mesmos deixam de ter razão dentro de um novo sistema. Historicamente, o homem precisou trabalhar para sobreviver, no contexto histórico primitivo, produzindo para satisfazer as necessidades de sua sobrevivência, ou para ocupar um cargo ou função dentro da lógica de mercado segundo as necessidades de produção dentro do sistema capitalista. Entretanto, como vemos ao longo do tempo, o mesmo sempre buscou facilitar o árduo trabalho através da tecnologia. No caso do trabalho braçal, instrumentos que demandassem menos força, e no caso do trabalho intelectual, a metodologia para se chegar mais rapidamente à solução do problema.

É clara a necessidade do homem de se utilizar da tecnologia para facilitar sua vida. E no caso dos dias actuais, substituir um esforço desnecessário, vista as possibilidades que o mesmo tem para ocupar melhor seu tempo. No sistema actual, o homem desgasta-se absurdamente, seja fisicamente ou mentalmente, para sobreviver neste mundo, retornando aos primórdios de sua existência.

No sistema de uma Economia Baseada em Recursos, com o fim de problemas gerados pelo sistema actual, o homem ver-se-á livre de todos esses trabalhos, de modo que, seja por meio da tecnologia, ou pela inteligência artificial, a humanidade terá uma nova perspectiva pela frente, podendo dedicar-se somente ao crescimento intelectual, aprendendo sobre a História, sobre seu próprio pensamento, e sobre sua produção cultural e material. Com isso haveria uma evolução no conhecimento, onde todos terão acesso ao mesmo. Tal cultura de conhecimento teria por princípio a livre iniciativa, onde o homem buscaria compreender aquilo que lhe atrai, levando-o cada vez mais a compreender-se a si mesmo e o seu ambiente. Da mesma forma, o homem viveria em fim em paz, sem conflitos, sem problemas, sem preocupações, podendo se dedicar às suas relações sociais assim como seu crescimento intelectual.

Com a utilização da tecnologia o homem seria capaz não mais depender das condições do sistema, mas somente dele mesmo e de seus semelhantes. A própria solução de conflitos se daria através do próprio homem, e onde houvesse necessidade de intervenção para solucionar o conflito, o mesmo se daria através da tecnologia e de convenções já estabelecidas na sociedade. Opções hoje em dia não faltam programas de ressocialização pela via psicológica que já se mostraram mais eficazes que as prisões isolacionistas. E sem os vários problemas sociais e psicológicos que afligem o homem actualmente, a razão dos crimes cairia mais que significativamente, apenas restando problemas de relacionamento, onde os mesmos poderiam ser solucionados através da auto-composição dos conflitos, ou até mesmos supridos através dessa razão maior que seria mostrada ao homem por meio dessa nova sociedade.

Fora isso, a questão ambiental seria solucionada com a correta gestão dos recursos do planeta, onde a tecnologia mais uma vez agiria para produzir e preservar de uma maneira devidamente sustentável. No actual sistema de mercado, a ideia de uma economia sustentável é absurda, pois a vontade do lucro das empresas vai de directamente contra a preservação do meio ambiente. Não há como conciliar ideias totalmente opostas. Somente num sistema onde não há mais valor monetário para se estabelecer relações comerciais e de produção que visam cada vez mais o lucro é que seria possível não haver uma destruição desordenada dos recursos naturais.

Com a tecnologia actual, e com o progresso na ciência da engenharia, será possível o desenvolvimento de técnicas que agridam minimamente o meio ambiente, de modo a preservá-lo da maneira correta. Verdadeiras cidades ecologicamente montadas surgirão e lá todos os recursos necessários à sobrevivência do homem estarão presentes. Cada cidade será equipada para atender as demandas daquela localidade, onde ao mesmo tempo, com a evolução dos transportes, o homem poderá se deslocar em tempo mínimo de uma parte do mundo a outra, criando de facto uma interacção social definitiva. O mundo será movido pelo conhecimento da cultura alheia, onde o turismo será absurdamente incentivado. As pessoas conhecerão os quatro cantos do mundo, onde por meio dessa nova consciência, o homem passará a preservar a sua História em detrimento dessa nova vida por meio da tecnologia. Não será mais preciso destruir sítios históricos para erguer ou expandir cidades. As chamadas cidades do céu transformar-se-iam em verdadeiros arranha-céus metropolitanos, sobrando uma vasta área de preservação ambiental juntamente com locais de importância histórica. É unir o passado com o futuro.

Da mesma forma, por meio dessa auto-gestão tecnológica, onde as máquinas administram as máquinas, não seria mais necessário a democracia representativa, o qual o Movimento Zeitgeist aponta como um problema para tal evolução social. Com a formação dessa nova consciência, assim como pelo avanço tecnológico, seria possível estabelecer uma democracia directa, onde as leis e a administração seria gerida por meio de um programa mundial onde a população decidiria directamente sobre as leis e a solução dos problemas para o mundo e cada região. (a tecnologia já existe) Considerando que tal Direito virtual não necessitaria da intervenção humana para aplicá-lo, devemos considerar que anteriormente à implantação de tal regime, seriam estabelecidas normas que impeçam criação de leis opressoras, assim como impedir o ataque aos direitos fundamentais, seja em qual parte do mundo for, de modo que tal programa judiciário e legislativo, ao mesmo tempo que seria definido pelas pessoas, teria um o sentido para evitar um ataque aos novos princípios e à organização social.

Muitos perguntam-se sobre os riscos de tal sistema se tornar numa ditadura. De facto, ele tem vários riscos, seja na sua criação, evolução ou durante o próprio sistema. Mas não é muito diferente da tecnocracia actual, onde o mundo vive apreensivo por conta das armas de destruição em massa, ou de sistemas normativos que mantém o povo na linha frente, a projectos de governo que beiram ao totalitarismo frente às intenções de expansão económica no contexto político mundial dos dias de hoje. Não vemos, mas de facto, somos dominados por elites económicas, e um mínimo de tentativa de democratizar o conhecimento como no caso recente do Wikileaks, resultou numa intensa campanha mundial de abafar as verdadeiras práticas totalitárias de governos que se denominam exemplos de Democracia.

É preciso termos consciência que chegamos a um limiar onde ou o mundo de facto evoluiu para uma nova consciência de sociedade. Frente aos avanços que conquistamos, ou ao existir tal confronto, o mundo entrará em guerra por não haver mais espaço para o crescimento nesse sistema, seja pelo esgotamento de recursos, o que gerará uma crise económica, seja pelos interesses cada vez maiores em lucro, o que gerará conflitos entre países pelos territórios ricos em recursos, ou mesmo pelos conflitos sociais gerados por tal globalização, onde em vez de termos consciência da existência de outras culturas, e da necessidade de coexistirmos em harmonia, preferimos ver o próximo enquanto um rival, um inimigo a ser aniquilado, quando na verdade todos fazemos parte da mesma História. Por isso, ou o mundo abre a possibilidade para concretizar tal evolução, ou de fato seremos exterminados por uma terceira guerra mundial, que é um facto. Um dia ou outro ela vai estourar, basta que todas as condições para tal facto estejam presentes.

E da mesma forma como a guerra pode ser o fim da nossa sociedade, a mesma pode ser o começo dessa nova proposta, onde caso as armas de destruição em massa não aniquilem todo o mundo, por meio dessa destruição do sistema seria possível reconstruir o planeta através dessa nova perspectiva, onde não mais seria necessário o investimento do capital advindo de uma economia de mercado para financiar a reconstrução do mundo, mas através da vontade de construir essa nova sociedade com uma Economia Baseada em Recursos. Tal sistema de reorganização social é de facto uma utopia, mas que se construída devidamente e passando por todas essas etapas, de modo a cumprir sua finalidade de organizar uma sociedade além da política, da miséria e da guerra, é possível sim existirmos, não enquanto países, mas enquanto planeta.

Como diria Bahá’u’lláh: “A Terra é um só país, e os seres humanos os seus cidadãos”. É possível sim implantarmos uma nova sociedade com um novo propósito, mas para alcançarmos essa nova era, é preciso antes de mais nada revolucionarmos nossas mentes, para compreendermos que chegou a hora de uma evolução no mundo, caso o contrário o mesmo será destruído por essa tentativa de barrarmos uma das poucas verdades no Universo: Tudo está condenado à evolução.


Declaração de Princípios

1. Declarar todos recursos mundiais como património comum de todas as pessoas.

2. Transcender as divisões artificiais que hoje arbitrariamente separam as pessoas.

3. Substituir as economias nacionalistas baseadas em dinheiro por uma economia baseada em recursos.

4. Ajudar na estabilização da população mundial através da educação e do uso voluntário de contraceptivos.

5. Regenerar e restaurar o meio ambiente de acordo com o melhor da nossa capacidade tecnológica.

6. Reprojectar cidades, sistemas de transporte, agroindústrias, e fábricas para que sejam energicamente eficientes, limpos e capazes de servir convenientemente as necessidades de todas as pessoas.

7. Livrar-se gradualmente das entidades corporativas e dos governos (locais, nacionais, ou supranacionais) como meios de gestão social. 8. Compartilhar e aplicar novas tecnologias para o benefício de todos os cidadãos deste planeta e do Ambiente.

9. Desenvolver e usar fontes de energia limpas e renováveis.

10. Produzir os produtos com alta qualidade para o benefício do mundo inteiro.

11. Exigir estudos sobre o impacto ambiental antes da construção de quaisquer megaprojetos.

12. Encorajar o mais amplo espectro de criatividade e incentivo a empreendimentos construtivos.

13. Superar o nacionalismo, o fanatismo e o preconceito através da educação.

14. Eliminar o elitismo, seja técnico ou de qualquer outra forma.

15. Delinear metodologias através de pesquisas meticulosas em vez de opiniões aleatórias.

16. Melhorar a comunicação nas escolas para que a nossa língua seja relevante às condições físicas do mundo.

17. Fornecer não só as necessidades básicas de sobrevivência, como também desafios que estimulem a mente ao mesmo tempo em que enfatizem a individualidade em detrimento da uniformidade.

18. Finalmente, preparar as pessoas intelectual e emocionalmente para as mudanças e desafios que têm pela frente.


en:Resource_Based_Economy

Em Construção em: https://docs.google.com/document/d/18QWWdnLaaIwtYWoeRxlL_w9f0m_eZIekJNmFhVB0ccc/edit

Notas

Redigido por Rolando Cardoso FUTURAGORA

<references /> https://www.thevenusproject.com/