Teoria do Apego e Conexão I

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Teoria do Apego

Um factor crucial para desenvolvimento óptimo infantil é a conexão do bebé a outra pessoas, principalmente com os pais. Freud e Erikson já tinham abordado esta relação entre pais-criança, mas Erikson em particular descreveu o sentimento de confiança e segurança como a fundação para todo consequente bom desenvolvimento. John Bowlby e Mary Ainsworth desenvolveram a Teoria de Apego que se foca totalmente no processo de desenvolvimento de conexões e o que acontece quando isso não se desenvolve.

John Bowlby é considerado como o fundador de Teoria do Apego, e esta teoria deu origem a inúmeros estudos científicos, e não apenas a estudos mas também a alterações em políticas de cuidados infantis, principalmente nos hospitais quando as crianças eram separadas dos pais. Alterou-se o modo de como os bebés e pais eram tratados. Bowlbly publicou a sua primeira Teoria de Apego em 1957, e foi na verdade influenciado por Mary Ainsworth.

Após a 2ª Guerra Mundial haviam muitas crianças em orfanatos, devastadas pela guerra, principalmente pela perda dos pais. Isso deu origem a inúmeros estudos.

1. Por exemplo, Rene Spitz estudou crianças em orfanatos que não tinham cuidadores consistentes, e por consequência sofriam de depressão e desmotivação.

2. Bolwby fez pesquisas em hospitais, em crianças que estavam separadas dos pais e outras que tinham sofrido a perda dos pais. Uma criança na situação de separação passa por estados de desconexão similar a um processo de luto adulto. Protestavam, sofriam de ansiedade, depressão, e afastamento e desconexão. Esta pesquisa concluiu que um forte conexão entre pais-filhos não é apenas importante mas também necessária à sobrevivência e desenvolvimento saudável.

3. Bolwbly e Ainsworth especificaram os mecanismos e processos que originam a conexão, com provas empíricas de como se desenvolve.

Ainsworth utilizou uma teoria do seu colega William Blatz sobre a influência de segurança nos humanos para desenvolver a ideia de uma Base Segura na conexão infantil. Conexões fortes dotam a criança de um independência e uma sensação de segurança como base. Dessa base segura a criança pode então explorar, arriscar, comportar mais independentemente, em vez de ser dependente e incapaz. Esta visão de uma base segura coincide com a abordagem de Erikson sobre a emergência de autonomia e iniciativa de uma fundação baseada em confiança. Ainsworth defendeu que a conexão adapta-se ao longa da vida e sendo assim não se pode ser demasiado segura e conectada, enquanto que na dependência não há adaptaçao. A dependência não é o mesmo que apego.

Na junção dos trabalhos de Bowlby e Ainsworth, os humanos desenvolveram um sistema intrínseco de conexão necessário à sobrevivência e adaptação da espécie. Os humanos possuem o período mais longo de imaturidade de todas as espécies e a proporção mais longa da vida é passada nessa fase.

1. O período de imaturidade permite que os humanos aprendam e sejam influenciados pelo ambiente e cultura, desenvolvendo flexibilidade, em vez de terem tudo já incorporado no sistema nervoso ou controlado pelos sentidos.

2. Tal período de imaturidade requer um igual longo período de cuidado parental intenso para assegurar que a criança imatura é protegida.

A natureza assegura essa conexão entre os adultos e as crianças mantendo-a através de uma conexão recíproca da criança aos pais, e dos pais à criança. Isso assegura que os pais cuidem dos filhos e que os filhos permanecam com os pais. Conexão pode ser definida ou caracterizada por uma forte preferência de uma pessoa estar em proximidade a outra pessoa específica e sentindo-se confortável quando perto dela e perturbada quando separada.

1. Essa conexão recíproca garante as necessidades básicas, isto é a necessidade de alimento, afeição, abrigo, protecção.

2. Consequentemente para os pais garante a necessidade e satistação de contacto físico, estimulação social, a necessidade de cuidar e educar, e sentimento de importância.

3. Oferece também uma sensação de segurança e confiança e combate os medos das crianças.

4. Facilita a exploração e funcionamento independente da criança. As duas motivações de procurar segurança e explorar o mundo parecem ser opostas. A criança não pode explorar o mundo enquanto procura segurança.

5. Desenvolvimento de uma Base Segura trás uma consistência na exploração do mundo, arriscar, ou experimentar novos comportamentos. Uma conexão a outra pessoa foca a atenção nessa pessoa através de excitação emocional, contacto visual e proximidade, sendo que a criança deste modo aprende da pessoa mais próxima. Essas pessoas tornam-se nos melhores professores para as crianças.

6.Oferece também um modelo e experiência para futuros relacionamentos, como amizades e relacionamentos íntimos.

Etologia

John bowlby rejeitou a teoria psicodinâmica de Freud como sendo inadequada para explicar o processo de apego. A Teoria da Etologia, uma abordagem naturalista, é uma abordagem geral de estudo do comportamento animal e desenvolvimento que se foca na evolução de comportamentos e a importância da adaptação e significância evolutiva numa determinada espécie. Da Etologia surgiram observações detalhadas e sistemáticas de diferentes espécies de modo a descrever como certos comportamentos complexos culminaram nessa edaptação, e porque razão alguns comportamentos alcançaram uma importância evolutiva significativa.

Existem períodos críticos no curso do desenvolvimento onde o individuo é particularmente sensível a certos eventos ambientais e determinado a responder a eles. Fora desse período crítico um indivíduo ou animal pode não responder do mesmo modo. Por exemplo certas capacidades ou reorganizações do sistema neuronal ocorrem com mais incidência durante os periodos críticos.

Konrad Lorenz exemplificou essa relação complexa de um padrão de acção e um período crítico num conceito chamada de “Estampagem”, usado na Etologia e Psicologia.

Na Estampagem um animal recém nascido responde a movimentos de outros objectos próximos e forma conexões neurológicas ou padrões que incentivam à necessidade de proximidade desse objecto, irá seguir e procurar essa proximidade. Estampagem nas aves, como por exemplo num pato, ocorre quando o primeiro objecto em movimento de determinada dimensão é estampado, que normalmente é a mãe. Nos patos, os patinhos ficam permanentemente conectados à mãe e destinados a segui-la. Estampagem ocorre em qualquer espécie onde a necessidade de parantesco é grande, como nas aves e mamíferos. Esse sistema evoluiu para assegurar que a relação de parentesco emerge e mantém-se.

Alguns padrões, acções, sons ou cores estão estampados nas espécies, que quando sinalizados a outros membros da espécie promovem uma determinada resposta. Tais padrões são conhecidos como Mecanismos Inatos.

É um sistema inato num animal que responde a estímulos do ambiente para produzir um comportamento esteriótipo pré-programado ou um padrão de acção fixo. Isso é uma sequência de comportamentos instintivos invariantes em resposta a estímulos exteriores sensoriais. Um padrão de acção fixo é dos poucos tipos de comportamento que se pode dizer que são instintivos e pré-determinados. Esses mecanismos inatos para um padrão de acção fixo instintivo foram encontrados em várias espécies. Também existem esses mecanismos em humanos.

Porque razão os bebés procuram proximidade e conexão com adultos? Os bebés respondem a contacto físico, calor humano, contacto da pele, e roupa. Quando em contacto com cabelo, pele ou roupa sentem-se confortáveis com esse contacto físico. Respondem a rostos, principalmente a olhos. Após 8 semanas já são capazes de estabelecer contacto visual e respondem ao sorriso, que por sua vez os faz sorrir. Respondem e preferem sons similares à voz humana, principalmente vozes femeninas. Os adultos, os país respondem reciprocamente do mesmo modo. Gostam de olhos nos olhos de outra pessoa principalmente com bebés. Também respondem a sorrisos. Por outro lado o choro de bebé é um mecanismo inato negativo que causa stress e é quase impossível ignorar.

Os adultos sentem-se atraídos por outros adultos com feições de bebé. Os bebés têm cabeças grandes proporcionalmente ao corpo, e olhos e testa grandes em proporção à cabeça. Têm feições suaves e redondas, queixo redondo, nariz pequeno, bocheixas redondas e mãos, dedos e articulações suaves.

Essas feições estão também presentes em várias outras espécies, como por exemplos em cães recém nascidos. Contudo estas feições de bebé comuns são predominantes em espécies com periodo de imaturidade e comportamento parentesco complexo. Lagartos sem periodo de parentesco já nascem como adultos em miniatura.

Quando um humano detecta, na maior parte dos casos inconscientemente, feições de bebé noutra pessoa sente uma vontade de cuidar dessa pessoa, pois é enviado um sinal de imaturidade e necessidade de protecção. Sentimos uma vontade de abraçar e proteger essa pessoa. Acontece em crianças que querem abraçar bebés, nos adolescentes, adultos sem filhos, e pais. Torna-se uma resposta automática, respondemos com atracção.

Leslie Zebrowitz fez vários estudos para demonstrar que adultos com feições de bebé são encarados como mais imaturos, gentis, inocentes e a necessitarem de ajuda, mas também menos competentes e irresponsáveis pelas suas acções que indíviduos com feições maturas. São percepções e preconceitos que temos influenciam quem seleccionamos para certos cargos e responsabilidades, na escolha de júris, nos vereditos em casos de tribunal, e escolha de parceiros.

Nos primeiros meses as alterações significativas do bebé parecem coincidir com surgimento de comportamentos e mecanismos inatos.

1. Após 3 semanas do nascimento o bebé começa a abraçar, tocar e também a chorar ( o que causa uma certa frustação e exaustão nos pais). 2. Mas entre as 4 e 6 semanas após o nascimento a rotina do bebé estabiliza e a confiança da mãe aumenta. 3. Entre as 7 e 8 semanas o cortex começa a funcionar melhor e o processo de apego desenvolve-se, num periodo chamado de Transição das Sete Semanas. O bebé começa a seguir o rosto das pessoa e manter contacto visual. Sorriem em resposta ao que a outra pessoa faz. 4. Entre os 5 e 6 meses o bebé mostra clara preferência a poucas pessoas e exibe sinais de apego específicos. 5. Entre os 7 e 12 meses a maioria dos bebés começa a exibir medo de separação, quando a pessoa a quem estão conectadas não está presente o bebé mostra sinais de stress e chora ou procura a pessoa. Demonstram também medo de estranhos, quando um estranho se aproxima o bebé pára e observa o estranho, toca ou esconde-se por detrás dos pais. Estes comportamentos sugerem preferência e discriminação.