Formação Activista

From Futuragora Wiki
Jump to navigationJump to search

1. Poder: origens e desenvolvimento 2. Natureza do poder

3. Formas de Poder 3.1 Poder da Base 3.2 Poder do topo

4. Estruturas de poder primordiais 4.1 Arqueologia 4.2 Antropologia 4.3 Funções e formas de liderança

5. Modelos de poder 5.1 Homem-grande 5.2 O chefe

6. Das vilas às cidades 6.1 Revolução dos Produtos Secundários

7. Suméria 7.1 Propriedades Emergentes

8. Expansão e Poder de Estados 8.1 Expansão geográfica 8.2 Crescimento demográfico 8.3 Aumento de poder

    • 1. Poder: origens e desenvolvimento**

Em comparação aos padrões actuais, as Comunidades Agrárias e Paleoliticas eram simples e igualitárias. Contudo, durante o início da Era Agrária começaram a surgir hierarquias institucionais, a divisão de comunidades por género, riqueza, raça, descendência e poder.

Há cerca de 5000 anos surgiram os primeiros Estados Tributários, controlados pelas elites que extraiam trabalho e recursos pela ameaça do uso de força organizada. Esta foi uma transição monumental da história humana, o surgimento e evolução dos primeiros estados.

Os Estados são distinguidos primeiramente pelo grande tamanho, praticam intensamente a agricultura, têm economias de mercado e classes sócioeconómicas significantes. Essas classes sócioeconómicas podem ser hereditárias, ou um sistema de meritrocacia, mas o importante é que existem classes de pessoas que gozam diferentes padrões materiais de vida.

Em Bandos, Tribos e Chefias podemos ter pessoas com mais estatuto, um chefe ou representante, mas as circunstâncias materiais da vida são iguais a todos os outros. Com os Estados temos classes permanentes que têm acessos diferentes a recursos materiais. Relacionado com isso é o facto de os Estados terem autoridade central pela lei, e força policial e militar para aplicar essa lei. O exército serve para conflitos exteriores e a policia para gerir conflitos interiores.

Os Estados emergiram primeiro na Mesopetâmia, as famosas cidades-Estado da Suméria por volta de 3500 B.C. As cidades-estado têm formas diferentes e desenvolveram-se de formas diferentes ao longo dos anos, temos Reinos, Impérios, Nações-Estado modernas.

Na antropologia Nação e Estado significam conceitos diferentes, uma Nação implica um grupo com uma herança comum e hereditária, partilha uma História comum, grupos que se consideram relacionados uns com os outros; um Estado é simplesmente uma forma de organização governamental com as características enumeradas anteriormente (classes sócioeconómicas, autoridade central, polica e exércitos, etc). Nações-Estado são um conceito mais recente na história humana, produto da civilização ocidental na Europa ocidental que emergiu no século 18.

Ao definir o conceito de poder consideramos a capacidade de controlo substancial de recursos materiais e humanos. Nas pequenas comunidades da **Era Paleolítica** havia pouco para controlar, mas com o início da Era Agrária o controlo tornou-se mais significativo com o acomular de recursos materiais e humanos. Neste contexto temos de distinguir as duas formas de poder, o poder da base e o poder do topo.

Estados geram tradicionalmente uma grande quantidade de registos históricos e escritos, que nos ajudam a estudar o passado. Alguns dos textos mais antigos como o grande épico de Gilgamesh descrevem eventos que acontecerem há 5000 anos. Outros como registos históricos encontrados na China, ou nas Regiões Mais da Mesopetânia, ou grandes épicos como de Homero são também acerca dos feitos de reis e guerreiros.

Em pequenas sociedades, durante grande parte da história humana, as relações eram essencialmente pessoal ou familiares. Para as compreendermos basta pensarmos nas nossas relações familiares, e não nas relações com o estado, lei ou policia. Certamente que o poder se encontrava na Era Paleolitica, mas era pessoal ou familiar, em vez de institucionalizado. Envolvia tradições de parentesco e individuais, que eram praticadas dentro desses pequenos grupos. Não continham grandes estruturas institucionais para as suster e manter, como hoje.

Surge então uma questão, quando é que as formas de poder institucionalizado surgiram e se tornaram mais que uma questão de familia ou “política” de clan? O poder institucionalizado é uma das mais importantes propriedades emergentes à medida que a agricultura levou as sociedades humanas para novas formas de complexidade. Durante o início da Era Agrária esse poder institucionalizado começou a ter um papel mais importante. Existe uma relação bastante próxima entre o crescimento e desenvolvimento das sociedades agrárias e o surgimento do poder institucionalizado. Nesse período. novas formas de poder e hierarquia começaram a emergir.

Para compreendermos a natureza do poder institucional temos de considerar o início e o fim do período agrário, e analisar os contrastes entre os dois. Então podemos voltar atrás e perceber a transição entre o ponto A e B, isto é das sociedades simples de vilas Era Agrária inicial (há cerca de 10.000 - 11.000 anos) às grandes civilizações agrárias que surgiram há cerca de 5000 anos atrás, a emergência dos estados.

    • Marvin Harris**, um dos grandes antropólogos do Séc. 20 escreveu sobre a emergência dos estados:

“Pela primeira vez apareceram na Terra, reis, ditadores, sacerdotes, imperadores, primeiros-ministros, presidentes, governadors, generais, almirantes, comissários, juízes, advogados, prisões, penitenciárias, e campos de concentração. Sob a tutela do estado, os seres humanos aprenderam pela primeira vez a ajoelhar, rastejar, e reverenciar. De muitas formas, o estado foi o declínio do mundo da liberdade para a escravatura” -Harris, Culture, People, Nature (1988; 5th ed.)

Esta é uma breve visão dos estados, que capta a nova escala da construçao das relações de poder, após o desenvolvimento dos Estados que dominaram a história dos últimos 5000 anos.

    • Eric Wolf** utiliza o termo de **“Estados Tributários”**. A palavra tributo refere-se aos recursos extraidos através da ameaça de força organizada, isto é a cobrança coerciva de trabalho ou recursos de um grupo de pessoas a outro grupo, que podemos referir como Estado.
    • Estados Tributários** implica geralmente o apoio genuíno dos seus sujeitos, porque embora possam reprimir, podem também oferecer serviços tal como os agricultores oferecem serviços valiosos nas colheitas e animais. Deste modo ao falarmos de Estados há sempre uma forma complexa de simbiose entre as populações que pagam impostos e fornecem recursos e os Estados que extraem esses recursos, parcialmente pela força, em retorno por serviços.

Podemos compreender melhor este relacionamento ambíguo na obra do historiador **William McNeil “Pragas e Povos”** em 1976, acerca da históra das doenças. Nessa obra e outras sobre Estados, descreveu as relações entre estados e populações como uma simbiose desiquilibrada, uma forma de parasitismo, como se tratasse da relação entre um organismo infeccioso e a sua preza. Para que a relação seja estável à sobrevivência do estado, e ser produtiva ao parasita, é vital que a preza sobreviva. Parasitas demasiado letais nunca duram. A maioria acabam por magoar os hospedeiros mas não os matam.

    • McNeil** descreve os estados como “macro” parasitas, em contraste com os “micro” parasitas do mundo das doenças. Tal como parasitas, Estados têm de oferecer algum tipo de protecção, e é por isso que muitos dos seus sujeitos valorizam os serviçoes que são oferecidos. Esta ideia de “macro” parasitismo podes ajudar-nos a entender este relacionamenteo complexo e ambíguo que emerge com o desenvolvimento dos estados. Contudo, apesar deste elemento mutualista, a qualidade que define os Estados Tributários é a capacidade, caso necessário, de impor a sua vontade pela força ou coerção.

A capacidade ou poder de coerção requer estruturas complexas e depende da instrução de sistemas de aplicação elaborados. Isto marca também um novo nível de complexidade social, uma reviravolta significante na história humana, um marca cronológica importante a considerar.

Estes primeiros Estados Tributários marcam o fim da Era Agrária primordial, e deram início ao que chamamos à segunda fase ou fase final da Era Agrária da história humana. Podemos comprar esta transição com o desenvolvimento de organismos multi-celulares, como grandes quantidades de organismos individuais e independentes se encontram lentamente incorporados em estruturas maiores, onde se tornam muito mais interdependentes, de certas formas menos livres passando a serem entidades mais dependentes. Contudo no seu colectivo, dentro desses organismos multi-celulares como nós, as celulas têm muito mais poder que antes.

Deste modo o desenvolvimento de estados e formas de poder institucional tornaram as sociedades humanas mais complexas.

As principais características da complexidade são:

Estrutura Estabilidade Novos fluxos energéticos Novas propriedades emergentes

Surgem novas estruturas, novos componentes são organizados dentro da nova estrutura. Surge assim um grau de estabilidade, para que estas estruturas perdurem. Flui nova energia e emergem novas propriedades. Os Estados são maiores e têm maior diferenciação interna, são claramente muito mais complexos que as vilas do início da Era Agrária, e ainda mais que as pequenas comunidades do período paleolítico. Para manter as estruturas complexas internas flui nova energia, que inclui os mecanismos de coerção, mobilização de recursos e energia em grande escala, o controlo de populações de milhares, e por vezes milhões de pessoas.

Nas primeiras sociedades humanas, os seres humanos eram eles próprios uma das mais importantes fontes de energia. O estados controlam pessoas e sendo assim controlam energia. As novas propriedades emergentes incluem guerra organizada, a construção de arquitecturas monumentais, edifícios gigantes como as pirâmides do Egipto, ou as pirâmides dos Maias na Mesoamérica. Arquitecturas monumentais são claros indícios de Estados Tributários, e contam como uma nova propriedade emergente.

Outro exemplo do poder de coerção sem precedentes é a sua gestão de mercados.

    • 2. Natureza do poder**

A ideia de Poder foi sempre um grande debate em ciências políticas, filosofia e sociologia, para compreender como essas estruturas foram contruidas ao longo de milhares de anos.

O que é o Poder e como o podemos definir? O que é poder institucional? Poder institucional difere de poder pessoal. Poder institucional pode ser definido como a concentração de poder sob recursos humanos e materiais num pequeno grupo de pessoas.

Esta definição contém duas componentes. A primeira componente é controlo, alguém ou alguma instituição controla algo. A segunda é o que é controlado, os recursos. É importante porque se fosse como o caso das sociedades paleolíticas onde havia pouca pessoas e recursos para controlar o poder é de significância limitada. Controlar uma duas pessoas não tem impacto num grande número de pessoas, e sendo assim não se torna facto histórico. Controlo podia existir mas era limitado, exercido sob pequenos grupos de pessoas e recursos, o poder era puramente personalizado. Líderes não existiam no sentido em que conhecemos hoje. Os grupos tomavam decisões, como familias fazem hoje.

“Em sociedades igualitárias, como os !Kung, surgem actividades de grupo, fazem-se planos, e as decisões são alcançadas sem um claro foco de autoridade ou influência. Examinação mais detalhada revela que padrões de liderança existem. Quando um poço de água é mencionado, o grupo que o habita é geralmente referido pelos !kung, como uma homem ou mulher singular. Estes indivíduos são habitualmente pessoas mais velhas que habitam há mais tempo, ou que casaram no grupo proprietário, e que têm qualidades pessoais notáveis, como um porta-voz, argumentador, especialista ritual, ou caçador. Em discussões de grupo, estas pessoas podem falar mais que outras, ser abordados mais que outros, e fica-se com a sensação que as suas opiniões contam um pouco mais que as dos outros. Independemente das suas capacidades, os líderes dos !kung não têm autoridade formal. Só podem persuadir, mas nunca forçar a sua vontade nos outros”. Richard Lee, The !Kung San (1979)

Isto é a ausência de poder institucionalizado, as formas de liderança paleolíticas.

Com a multiplicação de populações, tal como os bens produzidos, o poder começa a ser mais significativo. O potencial de recursos a controlar aumenta, como o armazenamento de bens, graõs ou metais preciosos. Com a expansão dos recursos o poder ganha mais importância, os líderes têm a possibilidade de ter cada vez mais controlo sob as coisas, e mais energia.

Deste modo a disponibilidade de recursos é crítica à escala de diferentes tipos de poder. Podemos visualizar como o administrador de uma vila, e líderes regionais ganham autoridade sob várias vilas, ou até mesmo líderes ainda mais poderosos a ganhar control sob chefes regionais. Resumindo o que acontece é que os individuos encontram-se na possibilidade de controlar cada vez mais recursos, e assim se constroi e cresce o poder.


    • 3. Formas de poder**

Voltando à **Era inicial Neolítica ou Agrária**, podemos explicar como estas formas complexas institucionalizadas se desenvolveram ao longo de milhares de anos.

Durante 200.000 anos não existiu poder institucionalizado. Para compreender como alguns individuos consegiram exercer poder significativo sob outros temos de distinguir as duas formas de mobilizar poder.

A primeira forma de poder é poder da base, e a segunda poder do topo.

    • 3.1 Poder da base**

Poder da base significa que o poder é concedido a um líder pelos individuos ou grupo, que esperam algo em troca. Têm a espectativa de beneficiar da subordinação de líderes experientes. Esta forma de poder da base é claramente uma relação simbiótica. As sociedades crescem e tornam-se mais complexas e a necessidade de liderança cresce. Tornou-se importante para alcançar os objectivos de grupo. Num grupo de 2 ou 3 pessoas pode-se fazer tudo por consenso, mas no caso de grupos de centenas de pessoas surge a necessidade de estruturas de liderança. Como por exemplo para se construir sistemas de irrigação, ou um muro para defender a vila contra rivais, ou algum tipo de organização e liderança. Com o crescimento das sociedades descobrem que precisam cada vez mais de liderança para lidarem com as tarefas e desafios mais complexos. É um processo derivado da agricultura que leva a maiores comunidades, que cria mais possibilidades de conflito, mais actividade de grupo e mais lideranças.

Ao pensarmos em poder legitimado do mundo moderno, estamos geralmente a pensar neste poder da base, mesmo se for reforçado pela ameaça de força. É um componente crucial de todos os sistemas de poder, que por vezes esquecemos.

    • 3.2 Poder do topo**

O poder do topo depende da capacidade de ameaças credíveis de coerção. Poder do topo, ao contrário de poder da base que apenas depende de um certa concordância entre pessoas com objectivos comuns, poder do topo depende da preexistência de grupos de coerção organizados e disciplinados, leais ao líder e capazes de aplicar a vontade dos líderes à base da força se necessário. Nas sociedades modernas tais exemplos são a policia e exércitos, como muitos outros oficiais. Nesse ambiente as pessoas obedecem pois temem a punição. Este aspecto do poder salienta o poder coercivo de relações de poder, crítico à existência de Estados Tributários. É fácil perceber se existe poder do topo, basta procurar a presença de prisões, policia, exércitos, gangs, mafia.

Um aspecto a ter em conta é que o poder do topo nunca existe só por si, não ha nada como um estado puramente coercivo. A razão é simples, manter um aparato de coerção é dispendioso e depende da vontade e apoio dos “funcionários” ou membros. Nenhum ser pode individualmente subjugar milhões de outros, tem de haver algum consenso entre os membros. Deste modo poder do topo depende da prexistência de estruturas complexas de coerção. Criar estes grupos é caro e complexo, e as formas de poder primordiais emergiram antes de tais grupos. Devido a isso as primeiras elites de poder dependiam principalmente de poder da base, que pode existir sem poder de topo, mas em contrapartida poder de topo nunca pode existir sem poder da base.

Podemos agora avançar para compreender os detalhes da construção e desenvolvimento de sistemas de poder elaborados, as estruturas que dominaram os últimos 5000 anos, e para isso temos de analisar as formas de poder da base.

    • Referências e sugestões de leitura:**

Christian, Maps of Time, chap. 9. Fagan, People of the Earth, chap. 14.

Harris, “The Origin of Pristine States” (in Cannibals and Kings).

Johnson and Earle, The Evolution of Human Societies.


    • 4.Estruturas de poder primordiais**

Para podermos seguir a lenta progressão do desenvolvimento de estruturas de poder e hierarquias durante o início da Era Agrária temos de utilizar provas arqueológicas e antropológicas que são usadas para reconstruir a evolução de estruturas de poder. Arqueologia e antropologia descrevem várias fases na evolução dessas estruturas. Os primeiros líderes não possuiam estruturas de coerção como exércitos e dependiam principalmente do apoio do poder da base.

O primeiro desafio é explicar como essas **Sociedade Neolíticas** podem ter oferecido de livre vontade o poder e recursos aos líderes. As sociedades tornaram-se maiores e mais complexas, tinham de cooperar cada vez mais e para isso precisavam de líderes. Dois modelos derivados de estudos modernos antropológicos são considerados: um ao nível da vila (Homem grande) e outro ao nível regional (chefes). Estes dois modelos simples de poder têm limites, que mais tarde foram ultrapassados na era das civilizações Agrárias.

Já analisámos a natureza do próprio poder, e a distinção entre as formas de poder institucionalizadas incorporadas nos estados dos últimos 5000 anos e as formas de poder mais pessoais presentes nas Eras mais antigas da história humana.

Voltemos ao ponto A, o início da Era Agrária. Temos de voltar aos inícios para que possamos seguir algumas das principais fases e a criação destas formas complexas de poder institucional, ou seja a pré-história do Estado.

Recapitulando, descrevemos a emergência dos primeiros Estados Tributários, e com esse modelo foi definido como estruturas de poder que tinham a capacidade de impor a sua vontade através da coerção se necessário. Agora voltamos atrás para ver como as primeiras e mais simples versões se desenvolveram. As provas e indícios provêm principalmente da arqueologia e antropologia.

    • 4.1 Arqueologia**

A arqueologia é o estudo dos “fósseis” de comunidades passadas, sociedades passadas que podem fornecer vários indícios indirectos das primeiras relações de poder e o desenvolvimento de formas de poder institucionalizado.

Exemplos disso são as riquezas e desigualdades de poder encontradas em vários enterros, como o gigante enterro de **Arzhan** no interior da Àsia. Remete para o séc. 8 E.C. (Era Comum do calendário gregoriano), há cerca de 2800 anos. Foi escavado no início da década de 70 na República Russa de Tuva, na fronteira da Mongolia. O Túmulo é das fases iniciais de Era dos Citas, e representa o enterro de um importante líder pastoral e nómada. Inclui 70 camâras distintas, organizadas como os raios de uma roda. Contem cerca de 160 cavalos selados, cada um sacrificado para o enterro. Encontram-se debaixo de uma colina com 120 metros de largura, que provavelmente requisitou o trabalho de cerca de 1500 trabalhadores (de acordo com estimativas dos arqueólogos) . No centro estavam enterrados um homem e uma mulher, vestido com peles e decorações elaboradas. Os principes subordinados, nobres, ou aristocratas foram enterrados na direcção sul, oeste e a norte deles, como uma posição de honra. Era tradicionalmente a posicionamente de honra das sociedades nomadas pastorais.

Chega-se facilmente à conclusão que existia graus de poder institucional bastante significantes, se tantas pessoas foram mobilizadas para honrar a morte de um líder, e parte deles príncipes enterrados com os líderes que aparentemente sacrificaram as suas vidas para honrar o enterro. Tinham poder sob grandes quantidades de pessoas, e possivelmente força coerçiva.

Outros exemplos de enterros de Recém-nascidos demonstram algo mais. Ao descobrirmos que bebés são enterrados com muita riqueza a seu redor, sabemos não só que eram pessoas ricas nessa sociedade como a riqueza podia ser hereditária. Isso sugere a existência de hierarquias de poder e riqueza institucional.

Existem provas mais elabordas como o **Exército de Terracota** que foi enterrado com o primeiro Emperador da China, Shi Huandgi (260-210 E.C.), ou extensas muralhas ou fortificações. Tem 8000 esculturas de soldados e os seus cavalos, com todos os diferentes uniformes militares. Foi descoberto em 1974 nos arredores da cidade de Oxian, a antiga capital de Han. A construção de todo o mausoleu pode ter requirido a mão de obra de 700.000 pessoas durante muitos anos. Faz agora parte de um mausoleu com 32 km2., É uma arquitectura monumental e mais grandiosa. Tudo isto demonstra a presença de exércitos e coerção organizada. Uma vez identificados sabemos que estamos a lidar com Estados Tributários poderosos.

Arquitecturas momentais são uma das principais similaridades entre todas as regiões onde surgiu poder institucional. São demonstrações de poder, como formas de propaganda para impressionar os outros.

As figuras de pedra, esculturas de **Ahu**, as cabeças de pedra na Ilha da Páscoa (Polinésia) são uma versão mais pequenas dessa demonstração de poder. Representam também uma forma de poder mais modesta, tal como as **Stonehenge** na Britânia. A arqueologia pode dizer-nos bastante acerca dessas estruturas de poder.

    • 4.2 Antropologia**

Mas um problema com a arqueologia é perceber exactamente como essas estruturas de poder funcionavam. Para isso temos de utilizar a antropologia. Em especial os estudos antropológicos de sociedades agrárias modernas, como as da Papua-Nova Guiné, partes da Melanésia, ou Amazonas. Sociedades que de várias formas similares às da Era Agrária.

Estes estudos modernos podem sugerir formas de interpretação das provas arqueológicas modernas. Existe uma relação próxima entre poder não no Paleolítico mas sim na fase inicial da Era Agrária, uma relação bastante próxima entre a agricultura e a evolução de poder. A emergência de formas de poder institucionais está directamente relacionada com a agricultura, e o crescimento da agricultura, o crescimento de populações.

    • Crescimento populacional**

Como vimos o factor principal foi o crescimento populacional, mais pessoas e mais coisas. Definimos o poder com dois elementos: controlo e os bens a controlar. O factor principal para o crescimento das estruturas de poder foi a produção de cada vez mais coisas. Grandes comunidades com mais recursos, mais recursos armazenados, mais armazens cheios de grão, riqueza… Ao se tornarem maiores, mais produtivas, mais interdependentes, as possibilidades de desenvolvimento de estruturas de poder aumentarem nas comunidades. Mas algo mais mudou, com a crescente complexidade novos problemas emergiram que precisavam de novas formas de liderança. Mais necessidade de liderança, mais recursos e expansão são a chave para se compreender este desenvolvimento de poder.

Com a maior complexidade é necessário mais mecanismos de coordenação. Torna-se necessário algo como um sistema nervosos de organismos multi-celulares, e algo do género parece ser verdade nas sociedades modernas. Tal como as familias modernas, as comunidades paleolíticas podiam resolver conflito cara a cara, ou simplesmente com a separação. Podiam juntar outros grupos. É um método bastante simples de resolução de conflito. Já nas vilas da Era agrária as relações eram muito menos pessoais, mas a separação era mais dificil porque o agregado familiar e habitações tinham trabalho investido, recursos, e campos agrículas, deste modo não era facil abandonar o local.


    • 4.3 Funções e formas de liderança**
    • 1. Disputas**

Progressivamente surgiam líderes para resolver essas disputas na comunidade, mas não só na comunidade mas também com outras comunidades vizinhas. Esta é mais uma função da liderança que se torna mais importante com o crescimento das comunidades, mais pessoas e mais complexidade.

    • 2. Religião**

Uma segunda função é religiosa. No mundo bastante pessoal Paleolítico as pessoas podiam pensar acerca do mundo de uma forma animista. Isto é ver o mundo populado com vários tipos de espíritos, muitos deles com pouco poder em grandes escalas. Essas figuras podiam ter poderes mágicos, mas não eram mais poderosas do que qualquer outra pessoa. Com a expansão das sociedades, os deuses parecem ganhar mais magnitude. A veneração de deuses torna-se uma tarefa pública. Sacerdotes especialistas começaram a tomar esta função de comunicar com essas grandes divindades. As suas relações privadas com os deuses podiam dar aos sacerdotes prestigio e influência considerável, geralmente transmitido em verdadeiro poder.

    • 3. Divisão de trabalho**

Outra razão do crescimento da necessidade de liderança foi o surgimento de especialistas e a divisão do trabalho. Ao se criarem pequenas cidades, formas iniciais de cidades, surge um número de pessoas que deixam de ser camponeses. Podem ser especialistas como guerreiros, artesãos, ou até escritores. Essas pessoas para recebem comida e outros recursos precisam de as trocar com outros membros da sociedade. Então com a divisão do trabalho, tornou-se necessário formas mais complexas de trocas de bens, como mercados e alguém para os proteger.

Liderança torna-se ainda mais crucial com este passo, e o poder da base cada vez mais importante. As populações nessas grandes comunidades tinham de delegar líderes, delegar poder a alguém, e sendo assim surgiu mais uma forma de liderança. Os que se ficaram nas posições de liderança foram pessoas com capacidades especiais, alguem respeitado pela honestidade, pela compreensão da tradição e regras de ética, e podiam ser aceites como mediadores. Ou também alguém considerado profundamente religioso, que comunica facilmente com os deuses. Outros na posição de líder podiam ser também experientes em guerrilha ou organização.

    • 4. Nascimento**

Outra forma de liderança é o nascimento. Em comunidades paleolíticas lidamos com poucas pessoas, que têm também relações com comunidades vizinhas. Mas uma vez que se atinge o número de algumas centenas ou milhares de pessoas, compreender os relacionamentos torna-se mais complexo, então sistemas de parentesco foram adaptados devido ao crescimento das comunidades. Com essa expansão contruiram o que se pode pensar como geneologias mitológicas. São geneologias que identificam todos, ou quase todos na comunidade, e remetem para algum tipo de antepassado mitológico ou semi-mitológico várias gerações no passado. Uma vez iniciado este processo somos forçados a classificar as pessoas de formas diferentes, os descendentes mais próximos e mais distantes, e surgem as aristrocracias.

Geralmente, em grandes comunidades, os que têm uma directa descendência com os antepassados fundadores vão ganhar mais importância, o através do nascimento surge uma base natural de autoridade. Umas das provas arqueológicas mais importantes disto, a importância de ancestralidade, é a decoração detalhada de crâneos ancestrais, como nas comunidades Natufianas (culturas mesolíticas). Sugere a importância de linhagem, mesmo até nas primeiras comunidades agrárias.

    • 5. Patriarquia**

Mais outra questão, a do poder e género. Porque razão em sistemas de liderança os homens surgem em números disproporcionais em relação às mulheres, nessas instituições de poder? Os homens dominaram as funções de liderança na maioria das comunidades agrárias, semeando as relações de poder assimétricas, descritas habitualmente cmo patriarcado. Quais as suas origens?

Muita pesquisa e estudos foram dedicados a essa questão nas últimas décadas. Algumas das possibilidade remetem-nos para a demografia das sociedades agrárias, e o facto de serem bastante diferentes das sociedades anteriores de colecta. Nessas sociedades de colecta, pareciam ter tentativas sistemáticas para limitar a população. Uma razão importante para isso é que numa comunidade nómada pessoas com fraca mobilidade não podem viajar, e outra razão é serem sensíveis à capacidade de recursos do ambiente. Por estas razões comunidade de colecta parecem ter deliberadamente populações reduzidas.

Mas uma vez fixadas num local e ao tornarem-se agricultores, as regras alteraram-se radicalmente. Na maioria das sociedades agrárias que conhecemos hoje, uma das regras cruciais para o sucesso do agregado familiar é o ter maior a quantidade de filhos possivel. Assim podiam ter mais controlo sob o trabalho, mão de obra, um dos factores principais de produção no sentido económico. Como não podiam controlar exactamente a extensão de terreno que tinham, ou capital, o trabalho tornou-se algo que podiam controlar. Maximizar a quantidade de trabalho disponível na quinta podia aumentar a riqueza e até oferecer protecção ou salvaguarda numa idade mais avançada.

Ter muitas crianças parace ter uma importância crucial na maioria de sociedades camponesas. O que significa isso para as mulheres? Significa que durante os anos de reprodução estavam limitadas a essa função e à criação das crianças. Desta forma os homems estavam mais à vontade para ocupar posições específicas, enquanto as sociedades tornavam-se mais complexas, emergia a divisão do trabalho, e em especial com o surgimento com posições de poder. Isto pode explicar o desiquilíbrio inicial as posições de poder.

O simbolismo e mitologia do poder também surge, que pode gerar a suposição que os homens eram líderes naturais. Pode ser um tipo de mitologia patriarca, embora que na familia as práticas de poder fossem na verdade variáveis, entre o homem e a mulher.


    • 5.Modelos de poder**

Estudos antropológicos modernos são a base para observar formas de poder em pequena escala da Era Agrária, o tipo de formas de poder embriónicas que provavalmente emergiram nessa Era. A antropologia oferece modelos funcionais para se compreender isso, como ferramentas de racionalização. O primeiro modelo é o do “homem-grande” e o segundo do “chefe”.

    • 5.1 Homem-grande**

O “homem-grande” era invariávelmente masculino. Num estudo clássico de 1955, **Douglas Oliver** descreveu os homens-grande, ou os **Mumis das Ilhas Salomão a Este da Pápua-Nova Guiné**. Jovens ambiciosos faziam a ronda aos seus relativos e amigos para reunir comida. Então faziam um grande banquete, incluindo porcos, tartes de côco, ou pudins de sago para os homens locais. No final iam todos embora. Os que faziam banquetes mais impressionates podiam adquirir ainda mais para se tornarem Mumis. O homem-grande é a pessoa a quem os membros da sociedade entregam tudo para que ele possa redistribuir por todos. O que ganhavam era prestígio, tal como dívidas que podiam cobrar mais tarde. Deste modo podiam ficar mais pobres, resultado da colecta da comida e oferecer tudo, colecta e redistribuição. Outro termo usado para esse processo é Potlatch.

O **Potlatch** é uma cerimônia praticada entre tribos índigenas da América do Norte, como os **Haida, os Tlingit, os Salish e os Kwakiutl**. Por outras palavras, consiste num festejo religioso de homenagem, geralmente envolvendo um banquete de carne de foca ou salmão, seguido por uma renúncia a todos os bens materiais acumulados pelo homenageado – bens que devem ser entregues a parentes e amigos. A própria palavra potlatch significa dar, caracterizando o ritual como de oferta de bens e de redistribuição da riqueza. A expectativa do homenageado é receber presentes também daqueles para os quais deu seus bens, quando for a hora do potlatch destes. O valor e a qualidade dos bens dados como presente são sinais do prestígio do homenageado. Oferecer é uma forma de investimento político, uma forma de poder primordial, que descrevemos como poder da base. Subornar aliados poderosos ao lhes oferecer presentes. Esta forma de poder primordial pode transformar-se rápidamente numa forma de poder coerçiva. Os Mumis podem-se tornar líderes de guerra poderosos.

No estudo de Oliver, foi relatado:

“Nos tempos mais antigos haviam melhores mumis que hoje. Eram líderes de Guerra ferozes e incansáveis. Consumiam as áreas rurais e as suas casas repletas de crâneos das suas vítimas” Douglas Oliver, A Solomon Island Society (1955)

Oferecer para recrutar seguidores era uma política bastante séria, podia levar rapidamente a políticas coerçivas, a transição do poder da base para o poder coerçivo podia ser rápida. Contudo esse poder assentava principalmente na capacidade de alinhar os seguidores leais.

    • Marvin Harris** escreveu:

“Sem gerra, o potencial de controlo inerente da redistribuição nunca teria surgido.”

-Harris, Our Kind:Who We Are, Where We Came From, Where We Are Going (1990) 

È evidente que o líder, para manter o poder, tem de continuar a encontrar bens para os oferecer. É uma forma bastante precária de poder.

    • 5.2 O chefe**

O chefe é o segundo modelo de poder. É apenas um modelo, um esquema que por vezes muitos antropólogos recusam usar. São apenas ferramentas para nos ajudarem a pensar como o poder pode ter funcionado, e nada de específico.

O conceito do chefe é habitualmente usado para se referir a líderes que normalmente comandam outros líderes. Aqui temos dois ou três níveis de poder. Têm pouco contacto directo com os sujeitos, o poder é baseado geralmente na linhagem e nascimento, e muitas vezes ocupam a posição de poder devido ao nascimento aristocrata.

O antropólogo polaco **Bronislew Malinowsku** (1884-1942) descreveu:

“Todos presentes na vila de Bwoytalu (Ilhas de Trobriand) caem das suas varandas como se fustigados por uma furação ao anúncio da chegada de um chefe importante” Bronislaw Malinowski

Contráriamente aos Mumis, com relações bastante pessoas com os seguidores, o chefe é uma figura mais remota e divina. Chefes nas Ilhas de Trobriand regiam milhares de pessoas.

Arqueólogos suspeitam a presença de chefes quando encontram grandes estruturas com pirâmides, que requerem controlo de centenas de milhares de trabalhadores.

O explorador Francês **Antoine-Simon Le Page du Pratz** (1695-1775) viveu brevemente entre as tribos Natchez no Mississipi em 1720, e as palavras do históriador Brian Fagan relatam:

“Ele encontrou-se numa sociedade rigidamente estratificada, dividida em nobres e as massas e regidas por um chefe conhecido como Grande Sol, onde os membros viviam numa vila de nove casas e um templo construido no cumo de um monte. Pratz testemunhou o funeral do Grande Sol. As suas esposas, relativos e servos foram drogados e reunidos para acompanhar a morte do chefe” Fagan, People of the Earth: An Introduction to World Prehistory (1997)

È uma descrição única, pois brevemente essas sociedades iram ser destruidas pela chegada das doenças Europeias.

Resumindo, analisámos como o poder institucional tem de começar da base, e como formas de poder significativas pode ser desenvolvidas, em grande parte com o apoio da base.

O próximo passo é o desenvolvimento de formas de poder muito mais institucional, burocrático, menos dependente de negociação pessoal constante entre o chefe e os seguidores. Como se chegou ao nível de Estados Tributários, na era das civilizações Agrárias.

    • Referências e sugestões de leitura:**

Christian, Maps of Time, chap. 9. Fagan, People of the Earth, chaps. 14, 15. Harris, “The Origin of Pristine States” (in Cannibals and Kings). Johnson and Earle, The Evolution of Human Societies


    • 6. Das vilas às cidades**

Até aqui vimos as principais características das primeiras sociedades agrárias, e a emergência de formas de poder e hierarquia simples. Surgiram com o crescimento da população e agricultura, que eventualmente levou a comunidades mais complexas e estruturas de poder. Ao mesmo tempo, os recursos começaram a ser acomulados para os líderes, aumentando assim as possibilidades de formas de poder maiores. Este desenvolvimento nos tipos de poder e escala de poder deram origem aos **Estados Tributários**, e as primeiras civilizações agrárias. Isso foi há 5000 anos atrás.

Entramos agora na **Era das Civilizações** onde surgem novas de complexidade social, tecnologica e cultural. Estas são as novas propriedades emergentes associadas com esta nova forma de complexidade associada às civilizações agrárias. Outro factor importante é ser a Era em que surgiu a escrita e apareceram os primeiros documentos da história humana.

Os **Estados Tributários**, são uma das componentes centrais das civilizações. A agricultura foi o rastilho que originou as civilizações agrárias. Essas civilizações apareceram primeiro na **Mesopetâmia**, no Iraque moderno. A produtividade crescente nesse território criou as fundações para essas civilizações. Civilização agrária refere-se às grandes comunidades que emergiram à volta dos primeiros Estados Tributários. Comunidades de centenas de milhares, ou até milhões de pessoas, essa é a primeira característica distintiva. Eram enormes comparadas com os outros dois tipos principais de comunidades - os grupos familiares da Era Paleolítica, grupos nómadas pequenos, e as comunidades de vilas de algumas centenas de pessoas, ou até milhares, que dominaram o início da Era Agrária. Deste modo as civilizações são um novo tipo de comunidades, mais vasto e que inclui milhões.

O segundo aspecto principal das civilizações é os seus recursos virem da agricultura. Isso significa que a maiorias dos habitantes eram agricultores ou camponeses, cerca de 90% da população. Eram fundadas firmemente nos avanços tecnológicos da agricultura, a sua capacidade de extrair cada vez mais recursos do ambiente, e a capacidade de suster comunidades maiores e mais densas.

Outra característica, o terceiro aspecto é conterem cidades e Estados Tributários. Eram dominadas pelas presença de poder institucional em grande escala, na forma de Estados Tributários, e também pela presença de cidades, locais de elevada demografia. Contudo existem algumas diferenças entre diferentes civilizações moldadas pela geografia, cultura e tradições. Contudo vamos agora focar nas semelhanças. As componentes principais é a maoria da população serem agricultores ou camponeses, que alimentam as cidades, estados e várias instituições associadas como exércitos organizados, burucracias intrínsecas e mercados organizados. Desse modo faz-nos ver como um tipo de comunidade humana.

As civilizações surgiram onde a agricultura estava bem desenvolvida, e isso foi inicalmente na Mesopetâmia, parte sul do Iraque. Nesse local, a cidade maior hoje é provavelmente **Basra**, embora tenham aparecido ao longo do rio Nilo. 500 anos mais tarde (4500 anos atrás), apareceram as primeiras civilizações no norte do subcontinente indiano ao longo do **Rio Indus** (paquistão de hoje). 500 anos após (4000 anos atrás) temos as primeiras provas de civilizações no norte da China, ao longo do **Rio Amarelo**. E há cerca de 2500 anos surgiram no sudoeste da Àsia, perto do deserto Saara em àfrica, perto do Mediterrâneo, e pela primeira vez nas Américas. Nos últimos 1500 anos os Estados apareceram numa ou duas regiões do Pacífico, como o Havai, embora essas comunidades fossem provavelmente demasiado pequenas para serem consideradas civilizações.

Todo esse processo depende da capacidade da agricultura aumentar a população, sendo assim eles estimulavam a agricultura para aumentar a produtividade e os recursos disponiveis. Esas inovações são a chamada Revolução dos Produtos Secundários e Irrigação.

    • 6.1 Revolução dos Produtos Secundários**

A Revolução dos Produtos Secundários está associada com o arqueólogo **Andrew Sherrat** (1946-2006). Andrew idenficou um conjunto de inovações. Isso surgiu há cerca de 5000-6000 anos, da Mesopetâmia e partes da Euroásia, fronteiras entre a Russia e Europa.

    • 1. Domisticação**

Um foi domisticação dos animais, a exploração dos animais enquanto era vivos, pelos seus produtos secundários, como o uso do leite. Contudo o uso do leite era uma tecnologia complicada.

Outro produto secundário é lã e fabrico de roupa de vários mamíferos domesticados. Roupa inclui sapatos e também tendas e tapetes.

Um terceiro grupo desses produtos secundários inclui energia. Isto significa que a energia de grande mamíferos como cavalos, camelos, ou gado são importantes. Podem utilizar essa energia para arar e aproveitar melhor o terreno para cultivar e produzir. Usar cavalos, camelos, e gado também revolucionou o transporte no comércio e guerrilha. Os humanos não podem digerir erva, mas os animais sim, então tinham uma tecnologia que permitia extrair a energia das ervas nas terras da Euroásia até à Savana no Este de Àfrica. O nomadismo pastoral abriu novo terreno para exploração.

Os primeiros registos de nomadismo pastoral provêm da fronteira do Cazaquistão (5000-6000 anos atrás). Essa inovação seria a base para os grandes impérios nomadas como os de Genghis Khan.

    • 2. Irrigação**

Irrigação é o segundo grupo de inovações, significa artificialmente introduzir água em regiões mais secas, mas com solos ferteis e muito sol. A mesopetâmia é um região assim, e significa literalmente “terra entre rios”, os rios Tigris e Eupharates. Irrigação tem um grande impacto nas populações, surgem esses solos ferteis e com irrigação podem cultivar enormes campos que levam ao aumento da população. Foi também crucial ao nascimento das civilizações. Exemplos como as Montanhas Zagros (há 8000 anos), a norte de Baghdad (há 8000 anos), Choga Mami a este de Bagdad.

Há cerca de 7000 anos o desenvolvimento acelerou, as vilas multiplicaram-se, e formaram Suméria. O arqueólogo **Brian Fagan** afirma que dependiam de esforços organizados e que devia haver muita política envolvida, e liderança. Era necessário materiais para construir casas como sacos de areia, argila, palmeiras, e canas.

Onde surgiam maiores comunidades surgia irrigação elaborada, mais organização e eventualmente o aumento de produtividade iria encorajar ao crescimento demográfico e a emergência de mais e mais dessas pequenas cidades. Tudo isso junto iria ser a fundação para a civilização da Suméria, há 5000 anos atrás, uma das primeiras civilizações agrárias.


    • 7. Suméria**

Chegamos agora a uma nova transição, muitos componentos são repentinamente organizados em algo novos. É o que acontece cada vez que atingimos um novo nível de complexidade, as primeiras cidades, Estados Tributários, e civilizações agrárias. Podemos considerar a Suméria, no sul da Mesopetânia, perto do Golfo Persa.

    • Andrew Sherrat** argumentou que o facto que haver comércio abundante no norte, e provavelmente nas terras do Sul, significava que os comerciantes passam nessa área. Isso encorajou ao crescimento demográfico, e por baixo daqueles pântanos haviam solos bastante ricos. Quando o clima mudou, a região secou, os pântanos da Suméria secaram e a região tornou-se numa potência que podia alimentar grandes números de pessoas, e que também atraiu imigrantes. Durante os próximos 1000 anos as pessoas foram forçadas a reunir nas cidades, as regiões tornaram-se demasiado secas e áridas. Gradualmente as pessoas eram forçadas para as cidades que controlavam fontes de água escassas e sistemas de irrigação. Os conflitos por recursos também forçaram as pessoas para as cidades. A seca atriu muitos imigrandes para o sul para irem controlar as fontes de água.

Nesta altura começam a surgir fontes escritas. Já podemos nomear pessoas e locais.

    • Stephen Mitchell** traduziu uma descrição da cidade feita por **Gilgamesh**, um rei da Suméria.

“Gilgamesh restaurou todo o Templo Eanna e a enorme muralha de Uruk, incomparável a qualquer cidade do mundo. Vejam como as suas muralhas brilham como cobre ao sol. Subam a escada de pedra, mais antiga do que possam imaginar, aproximem-se do Templo de Eanna, sagrado a Ishtar. Um templo que nenhum rei igualou em tamanho ou beleza, caminhem na muralha de Uruk, sigam o caminho à volta da cidades, inspeccionem as enormes fundações, examinem o trabalho, a obra prima de construção, observem a terra que envolve, as palmeiras, os jardins, os pomares, os gloriosos palácios e tempos, as lojas e mercados, as casa, as praças públicas.”

Este é um dos textos mais antigos que temos. Outras descrições de várias cidades da Suméria vêm da obra da antropologa **Susan Pollock**:

“A área interior às muralhas era densamente contruída mas não uniforme. Só existem provas ocasionais de plantação sistemática, e a grande parte provavelmente cresceu orgânicamente. As ruas variavam entre ruas estreitas e rotas de 2-3 metros e não serviam apenas como passagens mas também como locais convenientes ao desejo de lixo. Edifícios abandonados eram usados como recepção de despejo de lixo, a par de áreas limpas sem armazens. Grandes quantidades de desperdício material eram descartados nos limites da cidade, talvez na tentativa de organizar o despejo. O espaço aberto, casas ocupadas e abandonadas eram também usados para isso e como locais para despejo dos mortos, por vezes em forma de enterros. A densa arquitectura, ruas estreitas, grande variedade de actividades, e população diversa deve ter tornado as cidades da Mesopetâmia vibrantes, barulhentas, com mau odor e por vezes confusas e perigosas, mas também locais excitantes. As casas eram habitualmente construídas lado a lado, adjacentes. Com o tempo e alterações, muros podiam ser derrubados ou construidos, portas bloquadas ou criadas, pilares construidos, ou porções vendidas. As casas provavelmente tinham telhados lisos, com acesso por escadas ou escadotes. Tal como hoje no Este, habitantes de comunidades Mesopetãmias antigas podem ter utilizado os telhados para diversas actividaes, como para dormir no verão, secar coisas, e outras tarefas que requeriam espaço mais aberto.” Susan Pollock, Antiga Mesopetâmia : The Eden That Never Was (1999)


Ao contrário das comunidades de colecta das vilas do início da Era agrária, estes densas comunidades não eram cidades auto-suficientes, e nunca foram. Como a maioria não eram agricultores, tinham de obter alimento e outros recursos através de relações de controlo e trocas com camponeses próximos. Para viajarem para fora da cidade durante o dia, estas cidades tinham de controlar o interior próximo. Então a cidade quase por definição é um posto de poder. O que significa que os camponeses de vilas próximas eram forçados a oferecer alimento e bens, por vezes em troca de uma forma de protecção ou ajuda na manutenção de sistemas de irrigação, geralmente simplesmente à força.

    • 7.1 Propriedades Emergentes**
    • 1. Cidades e Poder institucional**

As primeiras propriedades emergentes desenvolvidas nas civilizações foram primeiro as cidades e poder institucional. Os habitantes das cidades tinham várias necessidades que só podiam ser satisfeitas delegando poderosos líderes, postos de poder, e por isso argumentamos que incluiam alguns dos primeiros Estados Tributários a aparecer. São também locais de especialização e divisão de trabalho. Muitos dos habitantes eram especialistas, não cultivavam, e eram dependentes de mercados para bens essenciais, e sendo assim precisavam estar num ambiente onde Estados podiam policiar e organizar mercados.

Existe um documento da Suméria chamado de Lista de Profissões Padrão que listava:

Soldados, agricultores, sacerdotes, jardineiros, cozinheiros, escritores, padeiros, funileiros, joelheiros, até encantadores de serpentes, e a profissão de rei.

    • 2. Guerra**

Outra propriedade emergente foi a Guerra, relacionada com poder. As cidades precisavam de muralhas defensivas e sistemas de irrigação. Só podiam ser contruidas e mantidas apenas por poderosos líderes que podiam organizar o trabalho, controlavam o trabalho, provavelmente através da escravatura, formas de poder coerçivas. Por outras palavras, obrigações impostas nas pessoas livres para fornecer trabalho em vez de recursos como uma forma de tributo.

Trabalho forçado foi importante em todas as civilizações, por uma razão simples e ecológica. Nas sociedades sem fontes energéticas modernas, os próprios seres humanos eram os recursos energéticos mais explorados, a par de gado domesticado. Os humanos eram como baterias, tornado a escravatura numa poderosa instituição. Humanos eram usados para a guerra, escavações, construção, e muito mais.

    • 3. Religião**

Outra propriedade emergente são formas organizadas de religião bastante relacionadas com formas de poder institucionais. Para manter o apoio dos deuses que podiam zelar por uma cidade inteira, era necessário construir tempos como o de Eanna em Uruk, dedicado a Inanna.

    • 4. Tributos e hierarquias**

Burucracias, tributos, hierarquias, escrita e exércitos são outras propriedades emergentes. Lideravam através de burucracias literárias, sistemas de cobrança de impostos, e exércitos pagos. Estas são características que vão reaparecer em todos os Estados Tributários. Olhando primeiro os tributos. Enquanto os agricultores extraiam rendas ecológicas dos seus campos e animais domesticados - significando que em troca de protecção tiravam partido de cada colheita ou rebanho, em troca de ajudarem na produção e reprodução a manada no ano seguinte- do mesmo modo os líderes da cidades-estado da Suméria recolhiam recursos dos seus habitantes. Chamamos a isso de tributos pois, como nos impostos modernos, eram obrigações em parte pela ameaça de coerção.

Encontramos hierarquias e classes que emergem dos ricos e poderosos no topo, enquanto escravos e prisioneiros de Guerra estão na base.

    • William MacNeill** descreve o sistema de classe da Suméria:

“As cidades Sumérias incluiam três elementos distintos. O grupo de cidadãos previlegiados que cultiravam territórios irrigados, um staff de trabalhadores do campo dependentes, e outros escravos importatnes. Fora das mulharas, nos lagos, um porto acomudava uma comunidade de comerciantes, e marinheiros que traziam importações necessárias para cidade como metais e outros materiais preciosos, enquanto exportavam lã, vinho ou outros fabricos para trocas. Contudo o elemento mais distinto nas cidades Sumérias era a presença de um ou mais templos divinos.” The Human Web: A Bird's-Eye View of World History 2003

    • 5. Escrita**

Outra propriedade emergente são bucracias escrita. A escrita parece ter surgido da contabilidade. Vimos que o crescimento da população e recursos, para que hajam agora líderes que controlam grandes quantidades de recursos e pessoas, e grandes armazens. Com grandes quantidades de coisas, ou tesouros, precisavam claramente algum tipo de método para controlar os materiais. Surgiu a contabilidade. São esses métodos de contabilidade que se desenvolveu para os primeiros sistemas de escrita.

    • 6. Exércitos**

Agora os exércitos. Com tantos recursos os líderes podiam pagar por reforços ou exércitos. Isso é um passo crucial de poder da base para poder de todo. Textos Sumérios descrevem guerras combatidas por exércitos bem organizados.

    • 7. Arquitectura**

Existiam monumentais arquitecturas, enormes edifícios ou estruturas construídas para impressionar inimigos, mas também os seus habitantes. Os túmulos reais de Ur mostram as riquezas espetaculares que os líderes podiam acomular, e a extraordinária e dispensiosa criação de túmulos inspiradores Apartir do terceiro milénio BCE, a forma típica de arquitectura na Mesopetâmia iria-se tornar nas Zigurate, uma forma de Templo em pirâmide dedicado aos deuses dos quais o mais preservado até hoje é o de Ur.

A torre de Babel tem sido geralmente interpretada como referência ao zigurate da Babylon, que foi dedicado ao deus Marduk.

A primeira cidade-estado foi o estado de cidades múltiplas, no fim do 3º milénio, sob o líder Sargon. Foi o primeiro estado imperial da região. É baseada na ciade Akkad no norte da Suméria.

    • 8. Ecologia**

Finalmente outro desenvolvimento crucial de muitas civilizações agrárias são o que se chama de realização ecológica. As cidades da Suméria sofriam frequentemente de cheias catastróficas, que são a base das histórias de inundações biblícas. Isso aumentou os sais de vários tipos de solos, que reduziu a fertilidade, reduziu gravemente a produtividade da agricultura e produção. Por volta de 2000 BCE há um declínio enorme de população da Suméria. Isto iria eventualmente destruir a civilização Suméria, que iria-se deslocar para norte da Mesopetâmia. Esse foi um sinal que essas belas e complexas estruturas que surgiram eram também frágeis. Seria verdade para a maioria das civilizações agrárias, com toda a complexidade e fragilidade.


    • 8. Expansão e Poder de Estados**
    • 8.1 Expansão geográfica**

Este novo tipo de comunidade humana, as civilizações agrárias expandiram-se durante quase 4000 anos. Expandiram-se em duas formas distintas. A primeira é a expansão na Afro-Eurásia, e segunda é o aumento do poder, ou Estados Tributários. Os estados estão na base de todas as civilizações, o poder expandiu-se ao longo de 4000 anos, tal como a capacidade de controlar recursos, pessoas. O conhecimento político acomulou-se ao longo de 4000 anos, dando origem á política tecnologica emergente. Com o acomular do conhecimento e compreensão de governação e da natureza do poder nos grupos de elite dos Estados Tributários, tornaram-se maiores e melhor na tarefa de organizar e reger essas sociedades grandes e complexas.

Para medir a expansão das civilizações agrárias temos de falar não só dos estados, mas também de todas as áreas controladas. Nenhuma civilização tinha fronteiras rígidas.

    • Rein Taagepera**, um historiador Estoniano tentou fazer cálculos detalhados das áreas incorporadas nas civilizações agrárias nesse período de 4000 anos. Ele estima que a área incluida nos Estados em megametros quadrados. Um megametro quadrado é provavelmente do tamanho do Egipto moderno, podemos usar esse mapa mental do Egipto para visualizar um megametro quadrado.

São cálculos bastante exactos, como os cálculos de fluxo energético de Eric Chaisson. Em 3000 BCE, os estados controlavam apenas 0.2 megametros quadrados. Taagepera calcula que isso repesenta 0.2% da area Afro-Eurásia controlada hoje pelos Estados modernos. Hoje os estados controlam praticamente toda a região. Em 1000 BCE, há 2000 anos os Estados já controlavam 10 vezes mais território, quase 2.5 megametros quadrados. Essa é uma expansão significativa.

Há 2000 anos, com os grandes impérios da Pérsia, China e Mediterrâneo, as civilizações dominavam 8 megametros quadrados. Isso já e 6% da área sob domínio actual de Estados modernos, 40 vezes mais do controlado inicialmente. Em 1000 BCE (há 2000 anos), de acordo com os cálculos de Rein Taagepera a extensão já era de 16 megametros quadrados, 13% do actual, 80 vezes mais que o inicial há 4000 anos.


    • 8.2 Crescimento demográfico**

Esses cálculos oferecem um bom modo de medir o processo de expansão da área controlada. Isso significa também crescimento demográfico que é sempre um ingrediente crucial. Infelizmente neste caso podemos apenas estimar plausivamente o crescimento das populações.

Há 10.000 anos estima-se que a população mundial tenha sido entre 5 a 6 milhões de pessoas. Há 5000 anos provavelmente haviam 50 milhões de pessoas na Terra. Isso significa que no início da Era Agrária, a população mundial multiplicou-se 10 vezes. Então há 1000 anos haviam cerca de 250 milhões na Terra. Em 4000 anos a população multiplicou-se 5 vezes, enquanto antes disso tinham-se multiplicado 10 vezes. Isso sugere que o crescimento demográfico não foi tão rápido nessa Era, foi relativamente mais lento na fase final da Era Agrária.

    • 8.3 Aumento de poder**
    • 1. Política**

A segunda alteração significativa é o aumento do poder dos Estados, estruturas organizadas das civilizações. A expansão da área controlada foi devido ao facto dos líderes tributários terem apendido a controlar áreas maiores, tornaram-se mais eficientes.

Em 3000 BCE (6000 anos atrás), os estados tributários eram um novo fenómeno, novidades, então os seus líderes estavam inseguros das melhores formas de gerir tais comunidades complexas e vastas. Mas durante os 4000 anos seguintes, acomulou-se muita capacidade política, militar e económica, e como resultado disso o poder expandiu-se. O desafio básico era maximizar os recursos obtidos das populações. Num perído de 3000-4000 anos as civilizações transformaram-se significativamente, de um novo e raro tipo de comunidades atípica para as mais importantes, poderosas e numerosas comunidades humanas há 1000 anos.

Recursos extraídos são sempre á base da ameaça de coerção, embora habituamente através de reclamação de direitos do estado para tal, a que chamamos de tributos. Faz um contraste com outras duas formas de mobilizar recursos, como oferecer presentes, em que a pessoa livremente e de boa vontade oferece recursos a alguém.

A outra forma é lucro, que são transferências de riqueza geradas através de trocas em mercados competitivos. Os lucros vão se tornar bastante importantes na criação de riqueza na era moderna.

Os estados, como parasitas, descobrem que podem extrair recursos de forma mais eficiente e por períodos mais longos se usarem métodos mais subtis quando possivel. Esses métodos incluem legitimidade, o avalo dos deuses, e justificações que fornecem serviços como protecção de invasores exteriores. O truque de um líder tributário bem sucedido é maximizar a extração de recursos sem gastar a capacidade de os camponeses continuarem a pagar, é o truque geral.

    • 2. Aprendizagem**

Com contínua, mas lenta aprendizagem, cada líder aprendeu novas técnicas de liderança e controlo, que foram lentamente difundidas entre diferentes Estados. Alterações críticas como técnicas militares melhoradas foram a base de Estados de coerção, que parecem serem Estados em algum tipo de guerra quase contínuamente. Aprenderam também a recrutar e equipar exércitos maiores, usaram auxiliares como nómadas pastorais da Euroásia. Introduziram armas cada vez mais sofisticadas como bigas (carro de duas rodas puxado a cavalo) e catapultas (armas de arremesso da engenharia militar). Uma das mais importantes inovações nessa área veio do interior da Àsia, uma região dominada por nómadas pastorais onde a cavalaria de guerra era praticada com grande eficiência como pelos Citas.

    • 3. Comunicação**

Melhoramento das comunicações foi outro factor importante, os líderes mais poderosos e bem sucedidos passam muito tempo a construir estradas para os exércitos e mensageiros.

Uma das mais famosas estradas foi a **Estrada Real Persa**. O escritor grego **Herodotus** descreve como tendo 2400 km, desde Susa no sul da Pérsia, através da Babilónia e Niveve, até Izmir e Èfeso na costa de Egeu na Turquia moderna. Herodotus disse que demorava normalmente 90 dias a viajar a rota toda, embora mensageiros reais a podessem viajar em 20 dias. Era guardada e protegida ao longo de todo o caminho, e Herodotus escreve no livro 5 das sua Histórias que:

“Existem estações ao longo de todo o percurso, e excelentes excelentes pousadas livre de perigo.”

No capítulo 8:98 das suas Histórias, Herodotus descreve como os trajectos e postos de guarda era usados para transmitir mensagens reais:

“Nada mortal viaja tão rápido como estes mensageiros Persas. Todo o plano é uma invenção Persa; e este é o seu método. Ao longo de toda a estrada existem homens estacionados com cavalos, em igual número aos dias que a jornada dura; e estes homens não serão comprometidos de alcançar na sua melhor velocidade a distância que têm de percorrer, quer na neve, ou chuva, ou na escuridão da noite. O primeiro cavaleiro entrega a sua encomenda ao segundo e o segundo passa ao terçeiro; e assim passa de mão em mão ao longo de todo o caminho, como a chama na tocha, que os gregos celebram a Vulcano.”

    • 4. Tributos**

Existem também sistemas melhorados para cobrar tributos, através de intermediários de poderes locais que cobram impostos e os passam às autoridades regionais, governadores ou Sátrapas na Pérsia Aquemenida, que entregavam ao governador central. Por exemplo a Babilónia e Siria, duas das províncias principais do Império, ambas na Mesopetâmia e provavelmente as mais ricas, pagavam 1000 talentos cada uma, o equivalente a 30 toneladas de prata. Os províncias de Fenícia, Palestina e Chipre pagavam 350 talentos.

Alguma dessa riqueza era transformada em moedas, que foram as primeiras as circular na Àsia central. O Império era todo gerido na Susa. Haviam outro meios subtis para cobrar impostos, os estados criaram grandes zonas de relativa estabilidade para os componeses e comerciantes.

Um texto de um príncipe Persa do Séc. 11, que escrevia ao seu filho:

“Que se torne na tua constante missão o melhoramento da agricultura e governar bem; pois compreender esta verdade.; o reinado pode ser na base do exército, e o exército pelo ouro; e o ouro é obtido do desenvolvimento da agricultura; e o desenvolvimento da agricultura através da justica e igualdade. Sendo assim sê justo e igualitário.”

Agora finalmente, os governantes usavam habitualmente a sua riqueza para aumentar o poder de diversas formas. Hoje consideramos como propaganda. Juntaram as elites governantes através da distribuição da riqueza, excitaram os habitantes com demonstrações religiosas e vários monumentos. Na Era sem jornais, essas eram as poderosas formas de propaganda.

Uma vez mais há outro exemplo fantástico do **Império Aquemedina**. É a Inscrição de Behistun, por Darius em 515 BCE:

“Eu sou Darius, o Grande Rei, Rei dos Reis, Rei da Pérsia, Rei das Nações, Filho de Histaspes, neto de Arsames, o Aquemedina.”

Vimos desde modo como de várias formas as civilizações agrárias expandiram e alastraram, e também como os Estados Tributários se tornaram mais poderosos e eficazes no seu trabalho num período de 4000 anos.