Possíveis requisitos para a transição para uma Economia Baseada em Recursos

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Sobre a questão de como alcançar uma economia baseada em recursos há uma grande variedade de possibilidades. Provavelmente a chave para a mudança começa com a mudança da forma como interagimos com o sistema monetário a cada dia.


A transição será feita não apenas por organizações que promovam um modelo de economia baseada em recursos, mas por todos os indivíduos e organizações com objetivos comuns com a economia baseada em recursos (mesmo sem sabê-lo). Será uma mudança que envolve todo o mundo mais cedo ou mais tarde.


A transição pode ser resumida em três fases: 1) A divulgação do conceito de economia baseada em recursos para envolver um número suficiente de pessoas comprometidas com a mudança (massa crítica). 2) O desenvolvimento de projetos específicos de alcance limitado. 3) A fase de acção global, interagindo face a face com o sistema, introduzindo o que se tornaria a semente do novo sistema.


Como resultado das medidas tomadas deveria emergir uma densa rede de cidadãos e organizações livres das actuais estruturas de poder económico e político, capazes de criar abundância de bens e serviços, sem um "preço". Estes indivíduos e organizações poderiam finalmente declarar os recursos do planeta como património comum da humanidade (da nossa geração e das gerações futuras).


No desenvolvimento das fases mencionadas, provavelmente vamos encontrar propostas mais concretas, como as que se seguem, algumas delas provenientes de organizações que promovem a economia baseada em recursos, e outras de organizações relacionadas:


- A primeira e mais importante é a mudança cultural através da educação e consciencialização das pessoas. Existem meios de comunicação que são controlados por bancos, companhias de telecomunicações, elétrica, outras empresas de todos os tipos, além dos governos. Deve haver uma séria alternativa sob a forma de novos meios independentes e redes sociais. O investimento numa nova educação deve ser também uma prioridade, com foco em novos valores humanos que incentivem a cooperação, a promoção do comportamento humano positivo, o uso de comunicação não-violenta, o pensamento crítico, formação técnica e científica, arte, desporto, criatividade e assim por diante. Isso irá resultar numa massa crítica de pessoas necessárias para a mudança.


- A colaboração de todas as organizações sociais na promoção da sustentabilidade do planeta, desenvolvimento de novas tecnologias, transparência de governos e corporações, bem como a defesa dos direitos humanos.


- A medição da qualidade de vida da população através de novos indicadores de desenvolvimento humano. Medir o nível de vida da população através do crescimento do PIB é falso e perigoso, porque favorece uma concepção da economia que é insustentável num planeta com recursos finitos.


- O desenvolvimento de projetos envolvendo a comunidade científica para mostrar às pessoas e instituições como uma economia baseada em recursos poderia ser implementada em poucos anos. Seria o caso de um Instituto de Redesenho global (‘Global Redesign Institute’).


- O uso do nosso poder enquanto consumidores para influenciar a estrutura económica e as suas regras.


- A criação de fundações, cooperativas e empresas de economia social pode ser necessária para a gestão de recursos e atividades económicas cujo propósito seria a implementação de uma economia baseada em recursos. Pretende-se fomentar a criação de organizações sem fins lucrativos destinadas a desenvolver a tecnologia de código aberto, produzir e distribuir bens e serviços essenciais em todo o mundo, fora das restrições do sistema baseado em benefícios económicos.


- Evitar, tanto quanto possível, o uso do dinheiro e do crédito. A promoção de alternativas ao atual sistema monetário (bancos de tempo, sistemas monetários complementares, etc), é um tema discutido, tendo presente que o objetivo final é eliminar o uso de dinheiro. Portanto, estas alternativas teriam de ser superadas algum dia.


- A pressão para a padronização máxima da tecnologia, possibilitando que componentes de uma marca possam ser utilizados noutra. Tecnologias que maximizem a durabilidade, confiabilidade e possibilidade de atualização contínua dos equipamentos sem ter que se substituir por novos. Minimização do impacto no ambiente e na saúde das pessoas de bens e serviços durante a sua criação, vida útil e reciclagem.


- A promoção de tecnologias de código aberto para que os avanços tecnológicos estejam disponíveis para todo o mundo, e não sejam sequestrados pelas corporações, por meio de patentes para evitar que sejam usados (como ocorre com as alternativas aos combustíveis fósseis), ou usados para o lucro à custa da morte de milhões de pessoas (como o caso do VIH/SIDA). O conhecimento e as soluções extraídas devem ser património da humanidade, não para poucos.


- O desenvolvimento de energia limpa e renovável e independência energética, fornecendo acesso a todas as regiões do mundo.


- Novos sistemas de transporte eficientes que minimizem o consumo de energia e aumentem a velocidade a par com a segurança.


- Disponibilizar, a todos os indivíduos e organizações, o inventário de recursos existentes no mundo. Os recursos devem ser localizados e monitorizados, e tal informação deve ser compartilhada com todos.


- Criar sistemas de computação distribuída que operam um sistema de gestão de recursos global. Os sistemas têm de ser suficientemente descentralizados e seguros para que nenhum agente possa assumir o controlo. Tais sistemas devem ser redundantes para evitar falhas devido a problemas de mau funcionamento ou intrusos no sistema.


- Aceitar a existência de desemprego tecnológico, e não combatê-lo, mas antes utilizá-lo para libertar as pessoas de intermináveis dias de trabalho. A automatização tem o poder de libertar as pessoas do trabalho monótono ou perigoso e deve ser desenvolvida ao máximo. Os trabalhadores devem ter mais tempo para formação em novas tecnologias. Ao mesmo tempo, a automatização aumentaria a produtividade.


- O desenvolvimento da agricultura e pesquisa de sistemas para produzir localmente, tanto quanto possível, minimizando o consumo de energia nos transportes. Sistemas de hidroponia, aquaponia, etc.


- A produção local da maioria dos produtos e serviços, desde que seja eficiente. Em princípio, a produção local não deve ter precedência sobre o aproveitamento de economias de escala, de alcance, etc, como resultado da colocação de centros de produção em certos locais estratégicos pela sua proximidade aos principais recursos produtivos, ou porque seja simplesmente menos "custoso" (em termos de recursos) produzir num lugar longe das cidades por qualquer motivo.


- A melhoria das infra-estruturas municipais existentes, a construção de cidades eficientes e ambientalmente amigáveis, e a promoção de auto-sustentação das comunidades em muitos lugares durante as primeiras etapas da transição.


- Superar gradualmente estruturas quer corporativas quer governamentais. Uma chave para a transição para uma economia baseada em recursos é levar as pessoas a encontrar maneiras de serem livres do poder de mercado, pois será preciso evitar as restrições do sistema de oferta e procura que é projetado para lucrar com a escassez. Também é necessário dispensar a classe política, substituindo-a gradualmente com a participação real dos cidadãos no processo de resolução de problemas.


- A Promoção de estruturas sociais horizontais, sem hierarquias de poder, denunciando os casos em que indivíduos ou grupos monopolizam qualquer forma de poder e usam-no abusivamente. O desenvolvimento de mecanismos de controlo que dependem do mínimo de subjectividade dos seres humanos.


- A estabilização da população mundial através da educação e controlo de natalidade voluntário.


- A recuperação de danos causados ao meio ambiente.


- A eliminação progressiva das armas de destruição em massa e de exércitos.


fonte: http://blog.thezeitgeistmovement.com/blog/icavot/possible-requirements-transition-rbe

Categoria:Artigo